terça-feira, 18 de março de 2008

Odair José e sua "Ópera-rock"

Nascido no interior de Goiás, desde cedo se interessou por música e na adolescência formou uma dupla caipira com um amigo. Mudou-se para o Rio de Janeiro com 18 anos, onde trabalhou como cantor de boates suburbanas e circos, guitarrista de inferninhos na Lapa. No início da década de 70 começou a compor músicas baseadas no que observava na realidade dos inferninhos, bordéis e boates. Seu primeiro compacto, "Eu Vou Tirar Você Deste Lugar", falava de um homem apaixonado por uma prostituta, e tornou-se um de seus grandes sucessos. Ele chegou a cantar a música em duo com Caetano Veloso no espetáculo Phono 73, organizado com o contratados da então gravadora Phonogram (hoje Universal). Logo, Odair José se transformou no maior ídolo da música brega, vendendo milhões de discos e emplacando hits como "Pare de Tomar a Pílula", proibida pela censura. Em 1977 surpreendeu ao criar uma "ópera-rock", "O Filho de José e Maria", mas logo em seguida voltou ao estilo antigo.

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Odair José, o artesão da música popularíssima brasileira

Publicado em 26 de novembro de 2007.

O cantor e compositor goiano Odair José de Araújo é o cronista das pessoas que amaram, já choraram muito por causa deste sentimento com nome de paçoca que se esfarela na boca e não têm o menor pudor em admitir isso. É o menestrel das pessoas que amam, porém vivem com medo de perder o ser amado, relatando seus dramas em canções que possuem como eus líricos putas, operários, empregadas domésticas, taxistas e outros representantes das classes sociais menos favorecidas. Não à toa, foi apelidado de "Bob Dylan da Central do Brasil". Suas letras são diretas, despojadas de firulas metafóricas, e calam fundo no peito daqueles que têm suas dores e sentimentos esquadrinhados por canções como "Deixa Essa Vergonha de Lado", "Esta Noite Você Vai Ter Que Ser Minha" e "A Maçã e a Serpente".

Antes de se tornar sucesso popular e vender milhões de discos, Odair José passou por muitos perrengues. Fugiu de casa para tentar a carreira artística no Rio de Janeiro. Lá, dormiu na rua, na praia e até no banheiro do Aeroporto Santos Dumont. Trabalhou cantando em bares, puteiros e inferninhos, testemunhando cotidianamente histórias que seriam fundamentais para a sua carreira de repórter musical dos desafortunados da vida.

Odair gravou seu primeiro disco em 1970, e não tardaria para fazer sucesso em todo o país com músicas simples e marcantes, que dispensavam preliminares e iam direto aos finalmentes. Em entrevista a Pedro Alexandre Sanches, Odair explica porque, em plena época da ditadura, compunha composições que eram consideradas "pornográficas" por sua própria sogra (quando uma música de seu genro tocava no rádio, ela simplesmente o desligava): "O namoro das pessoas já não era mais o namoro do portão, nem de olhar estrelas no céu. Era também isso, mas na verdade as pessoas já estavam transando, o relacionamento do namoro já era sexo mesmo. Não estavam mais se apaixonando apenas por pegar na mão, como se falava nas músicas, negócio de cordão, anel, beijo na boca. Não, já estavam transando. Eu observei aquilo e comecei a fazer minhas letras nesse sentido".

Em depoimento dado ao excelente site Censura Musical, Odair revela que houve tempos em que, de cada 12 canções que fazia, sete sofriam tesouradas impostas pela ditadura.
Não é difícil compreender o porquê de tamanha perseguição. Em declaração dada a Paulo César de Araújo para Eu Não Sou Cachorro Não , livro fundamental para a revisão da importância dos artistas considerados bregas ou cafonas na história da MPB, Odair explica: "Eu vim falando de cama, de pílula, de puta, de empregada doméstica, porque essa é a realidade do Brasil. Foi por isso que eu me tornei um artista polêmico, e a censura começou a me proibir". Diga-se de passagem, o ex-marido da cantora Diana não sofreu represálias apenas da Censura. Devido a obras como a ópera-rock O Filho de José e Maria, de 1977, livremente inspirada na vida de Jesus, Odair foi excomungado pela Igreja Católica.

Ao longo dos anos, em um processo lento mas paulatino, o valor de Odair José vem sendo reconhecido. Em 2006, por exemplo, diversas bandas reuniram-se para gravar um tributo às composições do goiano, Vou Tirar Você Desse Lugar, com a participação de grupos como Pato Fu, Mombojó, Columbia e Mundo Livre S/A. Um alento para um artista subestimado que até hoje mantém a capacidade de escrever músicas que reverberam os anseios e preocupações populares, compondo canções genuinamente honestas. Em seu álbum mais recente, Só Pode Ser Amor, de 2006, destaco a faixa "Pensão Alimentícia": "Todo mês no dia certo/ Você se lembra de mim/ Na sua conta do banco/ Meu valor nunca tem fim/ Na sua vida eu já sei/ Minha importância é só essa/ Sou pensão alimenticia/ O resto não lhe interessa".

"Nunca Mais" - Faixa inicial do polêmico álbum O Filho de José e Maria, a música é um funk suingado, que surpreende a qualquer um acostumado em carimbar toda a obra de Odair José como brega melado. Em um arranjo com direito a guitarras sincopadas e sopros ao fundo, Odair cunha aqui uma das melhores "pedras de toque" de toda a sua carreira: "Morri de tristeza pra viver de alegria".

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Odair José de Araújo, natural de Morrinhos - Goiás

Discografia

Odair José (1970) LP
Minhas Coisas/Meu Céu é Você (1971) CBS
Meu Grande Amor (1972) CBS LP
Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula) (1973) CBS
Lembranças (1974) LP
O Filho de José e Maria (1977)
Odair José (1979) LP
Odair José (1980) LP
Odair José (1989) LP
Odair José – Grandes Sucessos (coletânea)

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O filho-problema de Odair

Escrito por Moziel L. Monk
26-Abr-2007

Odair José tem aparecido na grande mídia nesses últimos meses, teve um tributo promovido por bandas de rock lançado em CD ano passado, participou de uma campanha publicitária de um cartão de crédito e vem dando entrevistas em revistas e programas de TV. Tanto os novos fãs quanto as antigas admiradoras sabem que o gênero de música que o consagrou e que ele ainda defende é o popular brega. Mas em um dado momento da carreira, Odair resolveu inovar e gravou uma ópera-rock.

“Eu agora sou bem diferente...”

Odair José ficou famoso com aquela pérola do cancioneiro onde ele relatava a aventura de um indivíduo que queria se amasiar com uma prostituta. “Eu Vou Tirar Você desse Lugar” vendeu mais de 800 mil cópias naqueles tempos. Ele saiu da CBS e ficou um tempão na Phillips, onde emplacou outros sucessos, como a "Uma Vida Sò" (Pare de Tomar a Pílula) ou “Deixe Essa Vergonha de Lado”, que lhe valeu a alcunha de “cantor das empregadas domésticas”. Devido a sua vivência no meretrício, Odair abordava temas considerados tabus, e na época do regime militar acabou tendo diversos problemas com a censura.

Em 1977, Odair resolve lançar um LP com estilo totalmente diverso do que costumava lançar e que o consagrara junto ao público. Seu plano era produzir um disco em ritmo de rock, estilo garage rock, mesmo sem maiores sofisticações ou requintes técnicos. As influências assumidas de Odair são tão diversas quanto o pianista de Jazz Herbie Hancock, o cantor Peter Frampton e o filósofo Gibran Khalil. Na concepção original de Odair, esse disco seria um álbum duplo que contaria a história de um indivíduo de seu nascimento à morte.

Só que nem tudo saiu como Odair José queria. Mesmo com o aval da sua nova gravadora, os produtores não quiseram arriscar com uma “banda de garagem” e Odair gravou esse disco com a sua tradicional banda Azimute. A gravadora também não quis lançar o álbum duplo, preferindo lançar um único LP.

Em dez faixas, Odair relata em versos a conturbada história do casal-título e do fruto dessa relação fugaz. Em momento algum Odair afirma estar falando de Jesus, e sim de um indivíduo, do “Filho de José e Maria”. Mas a associação é inevitável. E ao colocar o personagem em dilemas existências quanto ao uso de drogas e da sexualidade ele causou celeuma, como também às críticas tecidas à instituição do casamento religioso e a própria igreja. Mesmo sem Odair adotar o termo, a imprensa logo o classificou como uma ópera-rock, certamente comparando-o a obras como Tommy, do The Who, ou The Wall, do Pink Floyd. A gravadora BMG/RCA, que acabara de contratá-lo, apostou em um novo sucesso popular, e ficou a ver navios quando o disco “O Filho de José e Maria” teve críticas desfavoráveis e baixa receptividade do público, e um padre chegou a excomungar Odair José. Muitos acusaram Odair José de tentar elitizar sua obra, se afastando do povão. Resumo da ópera-rock: o disco não vendeu porra nenhuma, o povo não entendeu, a crítica esculhambou, o padre excomungou, a gravadora ficou puta da vida e Odair José só teve aborrecimento. E o pobre ainda teve que ir ao Vaticano pedir perdão ao Papa.

Não obstante o fracasso comercial e a dor de cabeça obtida, vinte anos depois ele mesmo admite que esse disco é um dos melhores trabalhos de sua carreira. Hoje o disco pode ser considerado cult, e não apenas pela curiosidade de ser uma ópera-rock gravada por um ícone brega. O disco tem seus méritos, com arranjos legais, entre o psicodélico e o progressivo, talvez um pouco datados, mas nada que impeça de ser apreciado. Mas o Odair José está presente na simplicidade das letras e no jeito de cronista dos excluídos sociais. Uma pena que o disco não foi bem recebido naquela época, em que o público era bem menos tolerante com ousadias de seus ídolos. E como ele ainda é inédito em CD, só recorrendo a sebos em busca do vinil ou baixando as versões MP3 que circulam pela Internet. No tributo a Odair José, lançado ano passado, a banda Shakemakers regravou a primeira faixa do disco, “Nunca Mais”, e o Pato Fu participou com uma versão de Uma Lágrima, faixa do disco “Coisas Simples”, que seria o segundo disco do LP duplo que Odair originalmente concebera, e que foi lançado apenas em 1978.
http://www.obusilis.net/index.php?option=com_content&task=view&id=117&Itemid=35

Discografia Relacionada pelo site Cliquemusic
http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/odair-jose.asp

LUZ ACESA (1994) • CD

ODAIR JOSÉ (1990) • Vinil

ODAIR JOSÉ (1989) • Vinil

ODAIR JOSÉ (1980) • Vinil

ODAIR JOSÉ (1979) • Vinil

LEMBRANÇAS (1974) • Vinil

ODAIR JOSÉ (1973) • Vinil

ASSIM SOU EU... (1972) • Vinil

MEU GRANDE AMOR (1971) • Vinil

ODAIR JOSÉ (1970) • Vinil


20 SUPER SUCESSOS - ODAIR JOSÉ • CD


Compilação: Marquinho Carvalho

Um comentário:

Jatai disse...

...creio que se fizer uma maquiagem nessa foto que ilustra o post quem sabe lembraria um pouquinho mesmo que de longe o Alice Cooper. rsssss Sem maldade é claro. Por falar em Alice Cooper que tal ouvir I never cry? Só pra matar saudades. rsss Abraços.