http://www.mediafire.com/myfiles.php
"Semana passada passei alguns dias em São Paulo. Trabalhei dois dias e nos demais bati perna sozinha na cidade que, aliás, a cada dia, mais aprecio." Li estas palavras numa mensagem que recebi esta semana da minha amiga Adriana que reside em Goiânia.
Hoje eu assisti no YouTube o vídeo da Dani Gurgel em que ela e amigos músicos, compositores e produtores descrevem as suas participações no processo de criação e produção do DVD Viadutos, idealizado pela cantora e compositora paulistana. O que chama a atenção é que o projeto é, em tese, individual, mas observando o envolvimento de todos eles na sua execução percebe-se que na realidade é uma obra essencialmente coletiva.
Mas voltando a frase da minha amiga sobre São Paulo e tratando de contextualizá-la, o fato é que a Dani Gurgel inicia seu depoimento comentando sobre sua visão e relação com a cidade de São Paulo:
“Eu gosto muita dessa loucura de São Paulo. Dessa gama gigantesca de possibilidades que você tem numa cidade tão grande com tanta gente diferente, com tantas idéias diferentes e tanta coisa diferente acontecendo ao mesmo tempo. A cidade é isso. Se você olha de fora ela é cinza, ela é toda igual, ela é sem graça. Mas se você chega perto, você vê que na verdade são várias cores se completando e o que você vê de longe como cinza é só a mistura”
"E agora, galera, quem poderá me defender?", pois entrei numa grande viagem misturando amigos (no caso Adriana) coletâneas temáticas que gosto de produzir de maneira virtual com o acervo da nossa rádio web Boca Livre (Coletânea Coração Paulista) que também retrata a minha ligação com Sampa, apresentar o trabalho desta garota super talentosa e ligadíssima no movimento do seu tempo e ainda comentar sobre o processo de criação e produção coletiva que tá rolando com essa nova geração de artistas da qual Dani Gurgel faz parte. Ufa!!! Como cantou Titãs: “uma coisa de cada vez, tudo ao mesmo tempo agora”.
Então, vamos lá. Há alguns dias eu li no blog Música Social uma matéria "clonada" da Revista Trip sobre os novos talentos da música produzida em Sampa que eles denominaram de Geração SP. Já da Dani Gurgel eu conheci há uns dois ou três anos dando uma entrevista na TV UOL. Na oportunidade ela deixava claro a sua posição absolutamente favorável à compartilhamento da produção musical através dos diversos blogs e afins. Lembro-me que fiz questão de transcrever o depoimento dela e, claro, em seguida, tratei de buscar o disco para baixar. Encontrei o CD Dani Gurgel Demo de 2007. Fiquei encantado!
Só para efeito de registro quero contar que encontrei esse disco no saudoso e fantástico "Música da Boa", que era super antenado com a produção musical contemporânea e especialista em lançar jovens e talentosas cantoras. Atualmente, quem continua firme na luta em favor da boa música brasileira é o “Fulano Sicrano” do magnífico blog “Um Que Tem” que, inclusive, tem três CDs da Dani Gurgel postados.
http://umquetenha.org/uqt
Em 2009 ela lançou o CD intitulado "Agora: Dani Gurgel e Novos Compositores". Pelo que a gente observa no vídeo sobre a produção do DVD Viadutos e no título desse disco, fica evidente a sintonia da Dani Gurgel com o movimento do seu tempo e, portanto, sua opção de criar e produzir coletivamente e lançar no universo virtual o resultado desse trabalho. Mas ao mesmo tempo, ela grava os pés no mundo real indo apresentar o trabalho nos locais mais inusitados, levando ao pé da letra o conhecido verso de Milton Nascimento: “o artista tem que ir aonde o povo está”, seja nas estações de metrô ou diante dos monitores de computador.
Isso tudo me remeteu a matéria que li no blog “Música Social” “clonada” da Revista Trip http://musicasocial.blogspot.com/search?q=revista+trip que apresenta uma relação de novos artistas na área de música que partiram para o trabalho criativo solidário. Creio que a síntese dessas idéias está neste trecho que retirei da matéria sobre “Os Novos Talentos da Música Brasileira”:
“Nenhum homem é uma ilha, todo de si mesmo; cada homem é um pedaço do continente, uma parte da terra principal”, escreveu em 1624 o poeta inglês John Donne. O verso ilumina nossa busca pelos homens arquipélago dos anos 00, no lugar dos músicos estelares dos anos 60. Hoje, quem se isolar dos aspectos menos artísticos de seu trabalho some. Não funciona ficar no canto criando, à sombra de uma gravadora ou de um produtor. O artista precisa se mover para todos os lados, às vezes se ocupando de tarefas nada musicais – pensar a arte do CD ou do site, cuidar da produção de um show ou da agenda de um evento.
Agora que ficou combinado que o CD é suporte para o trabalho ao vivo, antes meio que fim, ficou mais liberado todo mundo tocar com todo mundo. Seja solidário ou morra: a cena musical deriva concretamente da dinâmica das redes, que se tornaram o novo paradigma da comunicação (online e interativa, da internet e dos videogames), substituindo o de difusão (próximo dos festivais de TV e dos programas de rádio). Faz sentido a aproximação de artistas e bandas de gêneros musicais distantes. Isso não tem nada a ver com movimento: a liga é mais forma que conteúdo, mais modo de trabalho que programa artístico.”
Creio que não poderia terminar sem mencionar o nome de Itamar Assumpção, um dos artistas mais geniais desse País, falecido em 12 de junho de 2003 com apenas 53 anos de idade. Apesar de todo seu talento e genialidade, ou talvez por isso mesmo, ele pautou a sua curta, mas intensa carreira de compositor, intérprete e arranjador, envolvido num amplo processo de criação coletiva. Do seu grupo, denominado de “vanguarda paulistana” despontaram nomes como Arrigo Barnabé, Eliete Negreiros, Vânia Bastos, Grupo Rumo, Na Ozzetti, Tetê Espíndola, Alzira Espíndola, Alice Ruiz e vários outros grandes artistas.
Em 2007 eu “produzi” uma coletânea denominada “Coração Paulista” que, como o próprio nome sugere, coloco apenas canções feitas pra São Paulo. Mas o interessante foi que o “Um Que Tenha” acaba de postar três discos do Itamar Assumpção. O primeiro eu já tenho: Pretobrás: Por Que Eu Não Pensei Nisso Antes? (1998). O segundo: Petrobás II: Maldito Vígula (2010). O terceiro: Petrobrás III: Devia Ser Proibido (2010). Nesse terceiro disco tem uma canção belíssima em homenagem a São Paulo chamada: “Persigo São Paulo” que eu tratei de incluí-la na coletânea. Deixo o link pra quem desejar baixar.
http://www.mediafire.com/myfiles.php
Então, acho que já chega! Como diriam os adolescentes: “Ninguém merece!!!” rsrs
Obrigado
Fiquem na companhia de Dani Gurgel com a música Cinza (Rafa Barreto/Dani Gurgel) que está no DVD Viadutos.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
"O Fim da Canção"
Durante a realização da última edição do FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental na Cidade de Goiás, eu tive a oportunidade de assistir ao show, ou como foi intitulado o evento: Recital Conferência: A Canção Brasileira: Nas Palavras das Canções, apresentado por José Miguel Wisnik, músico, pensador, crítico literário, professor de Teoria Literária da USP, considerado um dos grandes compositores da atualidade.
A proposta do recital-conferência baseia-se em que, acompanhando-se ao piano, José Miguel Wisnik apresenta canções de sua autoria e de outros compositores, fazendo comentários sobre relações entre letra e música, sobre música e literatura, sobre música e cinema, sobre os múltiplos lugares das canções no Brasil.
Eu fiquei especialmente interessado nessa apresentação porque no início do ano passado eu estava no Rio de Janeiro e meu amigo Marcelo, professor da UFRJ, havia comentado comigo que lera uma declaração do Chico Buarque comentando sobre o fim da canção. De imediato manifestei minha perplexidade diante desta constatação.
Apesar de não ter nenhuma formação teórica na área musical, confesso que ousei discordar do mestre Chico Buarque de Holanda. Como já admiti, o fato da minha relação com a música ser apenas intuitiva, não conseguiria fundamentar a minha argumentação contrária à posição do grande músico e poeta. Por isso mesmo, fiquei na expectativa de que outros músicos e teóricos nesta área pudessem ter mesma compreensão que eu tive e contestar, em alto nível, a afirmação do grande Chico Buarque.
Ainda em abril do ano passado eu recebi uma carta do Marcelo contendo o recorte de uma matéria publicada pelo Jornal O Globo. Nela os músicos José Miguel Wisnik, Arthur Nestroviski e Tom Zé, além do filósofo Lorenzo Mammi debatiam “o fim da canção”.
Daí o meu enorme interesse em assistir ao show/palestra do José Miguel Wisnik. Evidentemente que eu não perderia a oportunidade de chamar a discussão sobre o tema do fim da canção. Claro que o que fiz e foi muito legal ouvir as argumentações do Wisnik ao vivo.
Deixo aqui pra vocês o recorte da publicação do Jornal O Globo sobre o tema em questão.
Informação nunca é demais, ou é? Mas de qualquer maneira lá vai: Clique uma vez sobre o recorte que ele se ampliará. Depois clique novamente e o mesmo ficará legível.
A proposta do recital-conferência baseia-se em que, acompanhando-se ao piano, José Miguel Wisnik apresenta canções de sua autoria e de outros compositores, fazendo comentários sobre relações entre letra e música, sobre música e literatura, sobre música e cinema, sobre os múltiplos lugares das canções no Brasil.
Eu fiquei especialmente interessado nessa apresentação porque no início do ano passado eu estava no Rio de Janeiro e meu amigo Marcelo, professor da UFRJ, havia comentado comigo que lera uma declaração do Chico Buarque comentando sobre o fim da canção. De imediato manifestei minha perplexidade diante desta constatação.
Apesar de não ter nenhuma formação teórica na área musical, confesso que ousei discordar do mestre Chico Buarque de Holanda. Como já admiti, o fato da minha relação com a música ser apenas intuitiva, não conseguiria fundamentar a minha argumentação contrária à posição do grande músico e poeta. Por isso mesmo, fiquei na expectativa de que outros músicos e teóricos nesta área pudessem ter mesma compreensão que eu tive e contestar, em alto nível, a afirmação do grande Chico Buarque.
Ainda em abril do ano passado eu recebi uma carta do Marcelo contendo o recorte de uma matéria publicada pelo Jornal O Globo. Nela os músicos José Miguel Wisnik, Arthur Nestroviski e Tom Zé, além do filósofo Lorenzo Mammi debatiam “o fim da canção”.
Daí o meu enorme interesse em assistir ao show/palestra do José Miguel Wisnik. Evidentemente que eu não perderia a oportunidade de chamar a discussão sobre o tema do fim da canção. Claro que o que fiz e foi muito legal ouvir as argumentações do Wisnik ao vivo.
Deixo aqui pra vocês o recorte da publicação do Jornal O Globo sobre o tema em questão.
Informação nunca é demais, ou é? Mas de qualquer maneira lá vai: Clique uma vez sobre o recorte que ele se ampliará. Depois clique novamente e o mesmo ficará legível.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
'Dia Santo', o melhor disco do ano de 2009

Há meses escrevi um pequeno texto comentando sobre o "universo paralelo na música brasielira" dada a quantidade de jovens talentos despontando a todo tempo de norte a sul do País, apesar das rádios e as TVs insistirem em tocar apenas dois ou três ritmos.
Mas não voltei aqui para lamentar o leite derramado e sim para contar que me deparei com dois novos talentos incríveis da nossa música que acabaram de lançar os seus discos. Falo de Bárbara Eugênia (carioca residente em Sampa) e Jam da Silva (pernambucano residente no Rio de Janeiro).
O interessante é que você entra num círculo virtuoso fantástico. Eu estava fascinado com a interpretação, composições, voz e arranjos da Bárbara Eugênia e, assintindo um vídeo dela, acabei ouvindo a mesma citar que uma de suas gravações, Haru, era autoria de Jam da Silva. Ela fez questão de ressaltar o talento do garoto. Fui logo procurar o disco que ela comentou que ele havia gravado. Encontrei o cd "Dia Santo". Fantástico!!! O cd está postado no blog Discoteca Nacional. Deixo o link logo abaixo pra quem quiser conhecer o trabalho do Jam.
No blog eu pude também ler o belo artigo do Rodrigo Pinto, jornalista de O Globo, tecendo uma crítica super bacana sobre o trabalho do Jam que eu decidi postar aqui pra vocês.
Por Rodrigo Pinto, para O Globo
Em um ano em que Adriana Calcanhotto, Lenine, Roberto & Caetano, Skank, Frejat, Gilberto Gil, Tom Zé lançaram discos, só pra citar alguns entre os mais conhecidos de nossa música, e novatos e menos conhecidos como, Wado, Os Outros e Momo chegaram com ótimos trabalhos, escolho o melhor disco do ano o de estréia do percussionista e compositor Jam da Silva.
Produzido por ele e Chico Neves, "Dia santo" é um trabalho que despreza datas e rótulos, pronto para o mercado universal da música boa. Jam monta letras e arranjos em camadas, aproveitando o que a edição não linear (ou seja, vc desloca blocos de música sem precisar fazer cópias, colocando-os onde quer em sua linha do tempo musical) trouxe de melhor para a produção contemporânea. Assim, soma sons que coleta nas ruas aos que grava em estúdio, sozinho ou acompanhado pelos muitos participantes no CD.
- É um disco que leva meu nome, mas o processo é bem coletivo - ressalva. - Estas pessoas são muito minhas amigas. Não premeditei nada, nem sabia no que ia dar. Estou envolvido com música sempre. E estas pessoas estariam em qualquer churrasco em minha casa no Rio - complementa, referindo-se a colaboradores como Alberto Continentino, Isaar, Junio Barreto, Marcos Lobato, Iky Castilho, Wysa e Simone Soul.
Aberto a múltiplas influências e referências, o disco passa longe da vulgaridade, do previsível, e tem assinatura inconfundível e inimitável.
- Acho legal ser aqui e de qualquer lugar. Logicamente, uso elementos de coco, frevo, forró, mas a raiz está por baixo da terra, e pode ser que não soe para algumas como música de raiz, mas é.
Para quem não conhece Jam, é preciso dizer que este pernambucano radicado (ou enraizado, por que não) no Rio foi gravado por divas como Marisa Monte e Roberta Sá, integrou a orquestra Santa Massa, que por tanto tempo acompanhou o brilhante DJ Dolores, acompanhou gente como a francesa Camille e a banda FURTO, compôs para o cinema... enfim, o cara tem estrada.
Em "Dia santo", desconsidera formatos convencionais da música pop, desmonta a canção brasileira tradicional, extrapola convenções rítmicas para criar novos clássicos, como a música que dá nome ao CD - com auxílio da também pernambucana Isaar em um ótimo registro, em tom apropriado a sua voz - e ainda "Samba devagar", "O pedido", "Mania", "Dub das cavernas"... Vai tudo maravilhosamente bem, da pista à rede na praia ou ao MPB Player plugado nos ouvidos.
Amigos de Jam têm comentado duas coisas: primeiro, o desejo irrepreensível de que ele não cometa o equívoco que muitos músicos que levam a vida acompanhando outros músicos cometem, o de não dar prioridade à realização dos próprios shows; segundo, a curiosidade sobre como o homem vai tocar essa orquestra de grandes novidades ao vivo. Enquanto não vêm os shows, contente-se em ter "Dia santo". Para mim, o melhor de 2008.
A relação das músicas abaixo então no cd "Dia Santo" de Jam da Silva que você baixar através deste link:
http://discotecanacional.blogspot.com/2009/04/jam-da-silva-2009-dia-santo.html
01. Agô
02. Mania
03. Dia Santo, com Isaar
04. Samba Devagar, com Soba
05. Música Branca
06. O Pedido, com Junio Barreto
07. Macumba
08. Dub das Cavernas, com Moussu T
09. Capoeirando
10. Congachic
11. Chuva de Areia
Já que Xico Sá citou Gainsbourg...

Gainsbourg, artista, cantor, poeta, et.
No post anterior, comentando o disco da Bárbara Eugênia, Xico Sá fez questão de ressaltar que a música da garota tinha algo da sonoridade de Serge Gainsbourg:
"...Música cosmopolita contemporânea, maestro, devidamente matizada nas cores dos trópicos, com a Harley Davidson de Gainsbourg ao fundo, please, muito barulho nessa hora." (Xico Sá)
Então, pra quem não teve a sorte de saber desta figura impar na história da música contemporânea deixo os links abaixo. (Desculpem-me se pareço pretencioso. Não é isso, absolutamente. Apesar de ter ouvido muito este grande sucesso de Gainsbourg no Brasil só fui conhecê-lo de fato já na idade adulta)
Je t'aime... moi non plus
(quem de nós que tiver mais de 40 anos e não chafurdou nessa canção nas ondas das rádios AMs desse brasilzão, certamente vivia no exterior ou tinha problemas auditivos. rsrs)
http://dynamite.terra.com.br/blog/townart/post.cfm/mostra-apresenta-as-diversas-facetas-de-gainsbourg
Nasce mais uma estrela!!!!!
Bárbara Eugênia - Journal de BAD (2010)
Por Xico Sá
Por Xico SáNão, amigo(a), para o bem ou para o mal, Bárbara Eugênia não é uma cantora/compositora “fofa” nem fez um disco idem. O mais fácil e confortável dos adjetivos da safra não lhe cabe, murmuro, digo, redundo, aposto, carimbo, cutuco: “Journal de BAD” vai além muito além, é disco grande. Guardemos a tentação ou ideia de fofura no bolso ou no palato. Fichas na jukebox, moedas na radiola, prepare seu espírito flamejante para um trilha passional capaz de reacender, num curto-circuito, todos os corações de néon da cidade, esquinas, fachadas, motéis, lares, cabarés, tudo muito romântico. “Bleeding my heart, oh no”, canta a moça, com a justa noção de que o amor cabe e estoura os gomos da pupila na levada psicodélica dos faróis. No acento do rock ou na chanson, principalmente nesta última, o amor cabe mais apertado ainda. Música cosmopolita contemporânea, maestro, devidamente matizada nas cores dos trópicos, com a Harley Davidson de Gainsbourg ao fundo, please, muito barulho nessa hora. Não obrigatoriamente um(a) cantor(a) se parece mais verdadeiro(a) quando interpreta e masca os seus próprios vocábulos, caso da maioria das faixas deste disco. Bárbara Eugênia, carioca que vive em São Paulo cercada de gente do mundo todo, se parece sim, crença nas suas composições, como quem acorda, pega a trilha de sonhos e submete ao assobio do namoro novo ou afoga tudo na quentura da manteiga que derrete nos cafés das manhãs. Na legítima fuga do amor que trava ou enferruja no calendário (“Agradecimento”) ou no medo do goleiro diante do pênalti (“A chave”), cuidado frágil – este lado para cima!-, aí vem a moça cronista do infortúnio e da ventura amorosa, cotidianos em desabridas letras. “Journal de BAD” é também um disco novo com o melhor dos sintomas modernos da música que se faz hoje no Brasil e em São Paulo: o ajuntamento de artistas como Junior Boca (guitarra, violão, produção e direção musical), Dustan Gallas (baixo, piano, órgão, teclados, mixagem e produção) e Felipe Maia (bateria), só para citar um trio de frente. Porque reparando ainda nos créditos, lá vem uma regravação de Fernando Catatau (“O Tempo”, Cidadão Instigado), uma composição de Junio Barreto, outra de Tatá Aeroplano, colaborações de Pupillo e Sá
Dengue (baixo e batera da Nação Zumbi), Otto na goela, Karina Buhr, Juliana R. Um mar de gente e de histórias. Conheci o “Journal de BAD”, com este mesmo título, ainda como uma espécie de newsletter afetiva distribuída por Bárbara Eugênia aos amigos e conhecidos. Aí está a origem do batismo. É o que este CD reverbera com seus arrastões de epifanias e encantos.
Dengue (baixo e batera da Nação Zumbi), Otto na goela, Karina Buhr, Juliana R. Um mar de gente e de histórias. Conheci o “Journal de BAD”, com este mesmo título, ainda como uma espécie de newsletter afetiva distribuída por Bárbara Eugênia aos amigos e conhecidos. Aí está a origem do batismo. É o que este CD reverbera com seus arrastões de epifanias e encantos.
domingo, 7 de novembro de 2010
Civilização ou barbárie
Por Emir Sader
Esse é o lema predominante no capitalismo contemporâneo. Universalizado a partir da Europa ocidental, o capitalismo desqualificou a todas outras civilizações como ‘bárbaras”. A ponto que, como denuncia em um livro fundamental, Orientalismo, Edward Said, o Ocidente forjou uma noção de Oriente, que amalgama tudo o que não é Ocidente: mundo árabe, japonês, chinês, indiano, africano, etc. etc. Fizeram Ocidente sinônimo de civilização e Oriente, o resto, idêntico a barbárie.
No cinema, na literatura, nos discursos, civilização é identificada com a civilização da Europa ocidental – a que se acrescentou a dos EUA posteriormente. Brancos, cristãos, anglo-saxões, protestantes – sinônimo de civilizados. Foram o eixo da colonização da periferia, a quem queriam trazer sua “civilização”. Foram colonizadores e imperialistas.
Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP - Universidade de São Paulo.
Texto completo postado site da Carta maior:
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=604
Esse é o lema predominante no capitalismo contemporâneo. Universalizado a partir da Europa ocidental, o capitalismo desqualificou a todas outras civilizações como ‘bárbaras”. A ponto que, como denuncia em um livro fundamental, Orientalismo, Edward Said, o Ocidente forjou uma noção de Oriente, que amalgama tudo o que não é Ocidente: mundo árabe, japonês, chinês, indiano, africano, etc. etc. Fizeram Ocidente sinônimo de civilização e Oriente, o resto, idêntico a barbárie.
No cinema, na literatura, nos discursos, civilização é identificada com a civilização da Europa ocidental – a que se acrescentou a dos EUA posteriormente. Brancos, cristãos, anglo-saxões, protestantes – sinônimo de civilizados. Foram o eixo da colonização da periferia, a quem queriam trazer sua “civilização”. Foram colonizadores e imperialistas.
Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP - Universidade de São Paulo.
Texto completo postado site da Carta maior:
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=604
Aécio nos embalos da ultradireita: até 'Sual Alteza Imperial' palestra sobre reforma agrária
O Instituto Millenium promove um Fórum em Minas Gerais, com a benção de Aécio Neves, e escolhe para palestrar sobre Reforma Agária... um monarquista, além da Senadora Kátia Abreu (DEMos/TO).Mas o monarquista não é um qualquer, é "Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe" Dom Bertrand de Orléans e Bragança, descendente da família real, membro da TFP, coordenador e porta-voz do movimento Paz no Campo (uma espécie de anti-MST ideológico), cuja sede é no mesmo endereço da Associação dos Fundadores da TFP."Sua alteza" percorre o Brasil fazendo conferências para ruralistas e empresários. Do "alto de sua realeza", considera a Reforma Agrária e os movimentos sociais "nocivos" para os "rumos da civilização cristã", construída na concepção de seus antepassados, onde o lugar que cabia ao trabalhador rural era a senzala.No mesmo Fórum, intitulado "1ª Edição MG – Fórum da Liberdade: Os Valores da Liberdade", Roberto Civita, o dono da revista Veja, recebe (ou entrega, não está claro na programação) o "Prêmio Liberdade".Além de "Sua Alteza Imperial", e além de Aécio Neves (PSDB/MG), o governador Anastasia (PSDB/MG) palestra na abertura, e o ex-presidente FHC encerra o Fórum.
Publicado no blog Amigos do Presidente:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/aecio-nos-embalos-da-ultradireita-ate.html
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