terça-feira, 28 de setembro de 2010

Editorial do Estadão - O mal a evitar

Fiz questão de publicar o editorial do Estadão fazendo um ataque grosseiro ao presidente Lula e aproveitando a "oportunidade" para declarar o apoio do jornal ao candidato do PSDB José Serra. A revista Carta Capital que mantem uma linha editorial coerente e respeitosa com seus leitores declarou logo no início da campanha o seu apoio à candidatura da Dilma. Os outros meios de comunicação que julgam mais importantes (vide Estadão: "...Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas...) não tiveram a decência de tomar o mesmo posicionamento. Entretanto, faltando menos de uma semana para as eleições o "glorioso" jornal da burguesia paulistana decide declarar o seu apoio ao Serra. O curioso é que o faz justo num editorial que endossa todas as palavras do artigo aqui publicado do teólogo Leonardo Boff sobre o abuso de poder da grande mídia tupiniquim. Os crivos no texto são meus. Neles estão todas as evidências do abuso da imprensa burguesa no trato com o governo Lula e a tentativa de espalhar o pânico nacional sobre o futuro de nossa democracia. Mas apesar de todo esforço canalha da velha mídia patética, nós venceremos as eleições. Parafraseando o "velho Lobo" Zagalo: "eles vão ter que nos engolir".

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.

Publicado no Editorial do Jornal O Estado de São Paulo em 29/09/2010 (segunda-feira)

A Mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

Por Leonardo Boff

"Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta", escreve Leonardo Boff, teólogo.
Eis o artigo.

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a mídia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e xulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo.

Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, (Jeca Tatu), negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da mídia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento / crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial.

A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA (faz questão de não ver), protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: Que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da mídia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

Leonardo Boff, teólogo - 24/09/2010 (Do Site da Unisinos)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Fila Anda

*Neymar: "Just do It"

Por Tostão

Neymar e muitos jovens querem se exibir e mostrar que são ousados. Sempre foi assim. Hoje, mais

É PRECISO SEPARAR as coisas. Neymar tem chances de se tornar outro fenômeno do futebol. Muitos marcadores tentam pará-lo na trombada. Alguns acham ainda que Neymar quer humilhá-los.

Se Messi tentasse, no Brasileirão, driblar como fez nessa semana contra o Panathinaikos, passando a bola algumas vezes por debaixo da perna dos marcadores, receberia muitas pancadas.

Outro fato, que não anula o anterior, é que Neymar está exibicionista. Com quedas teatrais, tenta levar vantagem, chamar a atenção e enganar os árbitros. E ainda desrespeita o companheiro e o técnico do Santos.

René Simões, treinador do Atlético-GO, profissional respeitado, um dos raros que tentam dar um pouco de delicadeza e humanismo ao futebol, disse, ao escutar as palavras de Neymar durante a partida, que nunca viu, esportivamente, um jogador tão mal-educado e que estão criando um monstro.

Quis dizer monstro no sentido de não ter limites. Isso não é novidade na sociedade.
A necessidade de Neymar de mostrar que é ousado é a mesma de muitos jovens. Alguns chegam até a tirar a roupa e espalhar as imagens pela internet.

Neymar foi criado, desde menino, dentro do clube e por empresários, para se tornar um craque e uma celebridade, e não para ser um cidadão.
Precisam também parar de chamar Neymar de criança. Ele já tem 18 anos e é responsável por seus atos.

No passado, muitos atletas famosos eram também deslumbrados e transgressores. Como hoje, havia a transgressão salutar e desejável, a de não repetir a hipocrisia da vida social, e a transgressão inconsequente, como a de Neymar e a de outros jovens. O exibicionismo e a transgressão apenas ficaram mais exagerados.

Antes, as pessoas se sentiam culpadas por desejar o que não era permitido, mesmo se não fizessem nada. Hoje, a culpa é por não fazerem tudo o que desejam, mesmo o que é proibido. É uma sociedade gananciosa e narcisista.

O ex-craque Dirceu Lopes, que pecava por não ter nenhum deslumbramento, afirmava que ninguém estava preparado para a fama. Além disso, a fama empobrece o ser humano.
A sociedade do espetáculo, expressão criada por Guy Debord, em 1967, tem pressa. Neymar se tornou uma celebridade antes de se tornar um craque habitual da seleção brasileira.
Publicado no Jornal Folha de São Paulo em 19/09/2010 (Domingo)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Rádio Web Boca Livre, o show não pode parar!


Olá, amigos e parceiros da Rádio Web Boca Livre!

Lá se vão cinco anos desde que iniciamos este trabalho em favor da grande música brasileira. Mas a verdade é que o que parece simples tornou-se uma tremenda aventura. O universo virtual é, sem a menor dúvida, um grande desafio. Durante esses cinco anos enfrentamos todos os tipos de dificuldades para manter a Boca Livre na web que jamais poderíamos imaginar. Mas aqui estamos! Felizes por continuar a realizar um trabalho extremamente gratificante, afinal, que ofício poderia ser mais prazeroso que distribuir “pérolas musicais” nesse universo infinito. Certamente atingimos pessoas dos mais distantes lugares do planeta levando a fantástica música brasileira.

Depois de vencermos um por um dos problemas surgidos ao longo desse período, continuamos na luta. Os parceiros mais antigos perceberão a mudança no visual de nosso sítio, entretanto, a sua é essência continua a mesma, ou seja, tocar o melhor da produção musical brasileira. Nesse amplo cenário de possibilidades estéticas, rítmicas e melódicas continuamos pesquisando os grandes talentos do passado e lançando a audição para as novas promessas do presente. Esta é a razão da existência da Boca Livre. Divulgar os grandes artistas tupiniquins e sociabilizar com nossos parceiros ouvintes os tesouros musicais que surgem por todas as regiões deste imenso Brasil. Sim, “pérolas” belíssimas que, geralmente, são “pisoteadas” ou jogadas nos porões das gravadoras e dos grandes impérios da comunicação pelos “porcos” capitalistas que só visam lucros aviltantes com a comercialização da música, preferindo sempre a opção mais lucrativa divulgando criações menores de fácil aceitação popular em detrimento da imensa capacidade dos músicos brasileiros de criarem obras imortais.

A Boca Livre segue seu caminho na contramão desse mecanismo perverso. Aqui desfilam gênios musicais como Moacir Santos, Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Capiba, Noel Rosa, Villa-Lobos, João do Vale, Cartola, Itamar Assumpção, Chico Buarque, Almir Sater, Lenine, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Cazuza, Tom Jobim, João Gilberto; intérpretes sublimes como Elis Regina, Clara Nunes, Tânia Maria, Maria Bethânia, Flora Purin, Clementina de Jeus, Milton Nascimento, Miltinho, João Nogueira, Nelson Gonçalves, Tim Maia, Roberto Ribeiro; instrumentistas fantásticos como Ernesto Nazaré, Milton Banana, Wilson das Neves, Arthur Moreira Lima, Jacob do Bandolin, Altamiro Carrilho, Márcio Montarroyos, Hélio Delmiro, Nico Assumpção, Airto Moreira, Sivuca, o magnífico “bruxo dos sons” Hermeto Pascoal e novos talentos como Tereza Cristina, Pedrinho Miranda, Marcos Sacramento, Céu, Moyseis Marques, Bena Lobo, Rodrigo Campos. Evidente que a lista é quase infindável diante da qualidade musical de nossos conterrâneos, mas a citação destes nomes sugere a dimensão do potencial da Boca Livre.

Então, amigos e parceiros, cá estamos seguindo o nosso sonho de compartilhar com as novas e velhas gerações de todos os lugares do planeta, especialmente com nossos irmãos brasileiros, a diversidade e a riqueza de nossa música. A missão é não deixar que tanta coisa linda se perca de nós.

Beijo a todos!

www.radioweb.bocalivre.org

domingo, 19 de setembro de 2010

Trivial de Jimmy Hendrix

Há 40 anos Jimi Hendrix beijou o céu

Por Nilson Fernandes

Há 40 anos, no dia 18 de setembro de 1970, uma sexta-feira, pouco depois da meia-noite, James Marshall Hendrix, 27 anos, capotou afogado em seu próprio vômito devido a uma overdose do barbitúrico Vesperax, de sua namorada alemã Monika Dannemann (1946 - 1996), misturado com bebidas, principalmente vinho. O efeito foi tão forte que ele ficou entorpecido e não conseguiu reagir quando fortes golfadas de vômito lhe subiram pelo esôfago como uma reação do organismo. O líquido invadiu-lhe os pulmões, seu coração entrou em taquicardia enquanto ele se afogava e, finalmente, parou. O óbito ocorreu no quarto de Monika no Samarkand Hotel, em Notting Hill, Londres.
- Leia mais atavés do link abaixo extraido do Blog do Nassif. Vale a pena! Trata-se de um bom resumo da meteórica e marcante passagem de Hendrix pelo universo sonoro do Rock'n'roll. Foram postadas excelentes fotos da carreira de um dos maiores músicos de todos os tempos.

Aliados de Serra tratam derrota como favas contadas

Tucano fez a conta e concluiu que não há tempo para virada; Seria preciso retirar de Dilma cerca de 9,4 milhões de votos

Josias de Souza

A 15 dias do encontro dos eleitores com as urnas eletrônicas, integrantes das cúpulas do PSDB e do DEM jogaram a toalha.
O signatário do blog ouviu, nas últimas 48 horas, três caciques da oposição -dois tucanos e um ‘demo'.
Para atalhar as declarações protocolares, o repórter comprometeu-se a preservar a identidade dos interlocutores.
Sabendo-se protegidos pelo anonimato, os interlocutores discorreram sobre o desânimo que viceja ao redor de Serra.
Alcançado pelo celular na noite desta sexta (17), um líder tucano disse que a inviabilidade de Serra tornou-se "evidência matemática".
Munido de cálculos que encomendara à assessoria, o grão-tucano contabilizou o tamanho do desafio.
Para evitar que Dilma Rousseff prevaleça já em 2 de outubro, seria necessário retirar dela algo como 9,4 milhões de votos.
Dito de outro modo: até a data da eleição, a pupila de Lula teria de perder pelo menos 627 mil votos por dia.
"Se a gente olha os percentuais das pesquisas, fica desanimado. Quando o percentual vira número de votos, entende-se o por quê", disse o tucano.
Os cálculos foram feitos com base no último Datafolha. Consideraram-se apens os votos válidos, sem os brancos e nulos e os indecisos.
Os 57% atribuídos a Dilma correspondem a cerca de 74 milhões de votos. Os 30% de Serra, 36 milhões. Por trás dos 12% de Marina Silva, estão 16 milhões de eleitores.
Outro tucano que falou ao repórter realçou o fato de que Serra, "com erros e acertos", já fez "tudo o que podia na campanha".
No início, posou de oposicinista light. Repisou na propaganda a tese segundo a qual tudo o que funciona sob Lula seria mantido numa gestão tucana.
Alvejava Dilma, mas preservava Lula. Chegou mesmo a levar a imagem do presidente à televisão. A estratégia revelou-se improdutiva.
A partir do noticiário sobre a violação do sigilo fiscal de tucanos, o marketing de Serra elevou o timbre da campanha. E nada.
Sobreveio o episódio do tráfico de influência que produziu a queda da ministra Erenice Guerra (Casa Civil). O tucano resumiu:
"O Serra de hoje está distante do Serra dos primeiros dias da campanha como a Lua da Terra. E as pesquisas mostram que os dois Serras foram mal recebidos".
O cacique do DEM que se dispôs a falar ao blog revelou maior afeição pelo segundo Serra, o candidato de discurso mais agressivo. Porém...
Porém, mesmo líder ‘demo' disse que, a essa altura, o par de escândalos alardeados por Serra não devem abalar o favoritismo de Dilma.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Paixão de argentino pelo PT vira instalação na Bienal

*O artista argentino Roberto Jacob/fotografafo por Marcelo Justo/Folhapress

Por Ricardo Westin

Perto de 160 artistas do mundo todo darão forma à 29ª Bienal de São Paulo. A concorrência será grande, mas o argentino Roberto Jacoby já sabe que terá muitos holofotes voltados para si.
Jacoby, 66, é fã incondicional do Partido dos Trabalhadores brasileiro, e essa paixão será o chamariz de sua instalação nesta edição da Bienal, que será aberta no sábado da semana que vem.
No espaço que lhe coube no prédio do parque Ibirapuera, ele acaba de montar duas fotos gigantescas --de 4 m de altura e 5 m de largura cada uma-- que mostram um carrancudo José Serra (PSDB) e uma radiante Dilma Rousseff (PT).
Ao longo dos dois meses e meio da megaexposição internacional de arte, Jacoby terá cerca de 25 "cabos eleitorais" argentinos distribuindo panfletos, adesivos e buttons do PT e de sua candidata à Presidência da República.
Eles também são artistas e estão ajudando Jacoby na montagem da instalação. Todos estarão uniformizados com uma camiseta vermelha com os dizeres "Dilma" na frente e "Brigada Argentina por Dilma" nas costas.
"Somos a favor da continuidade do governo do PT, que tem sido importante para a democracia e a unidade na América Latina", explica, empolgado, Roberto Jacoby.Essas fotos de Dilma e Serra foram tiradas da internet e escolhidas por terem os direitos autorais liberados.

AMBÍGUA LIGAÇÃO

Para o artista argentino, a presença de Dilma Rousseff na Bienal é inevitável. Por determinação dos organizadores, a "estreita e ambígua ligação entre arte e política" é o mote que deve permear todas as obras.
A instalação de Jacoby leva o título "A Alma Nunca Pensa sem Imagem". Ali, além de verem os candidatos, os visitantes assistirão a palestras sobre arte e filosofia, ouvirão leituras dramáticas e participarão de oficinas de arte. Nas oficinas de serigrafia e desenho, aprenderão a fazer cartazes do PT.
"Tudo é artístico", diz Jacoby. "Estou trazendo para dentro, na forma de arte, o que acontece lá fora." Procurados pela Folha, os curadores da Bienal não quiseram falar dos "cabos eleitorais".

PATROCÍNIO

A Brigada Argentina por Dilma foi organizada só para a Bienal. Segundo Jacoby, não é ligada ao PT.
Os simpatizantes argentinos chegaram a pedir patrocínio ao Partido dos Trabalhadores. A ideia era, com o dinheiro, encher uma parede com estrelas vermelhas. O PT respondeu que não poderia contribuir porque a propaganda eleitoral está proibida em prédios públicos.
Essa instalação recebeu R$ 40 mil dos organizadores. A Bienal arrecadou R$ 30 milhões de empresas privadas, incentivadas pela renúncia fiscal da Lei Rouanet.
Os "brigadistas" ficam animados quando falam do presidente Lula, mas admitem que sabem pouco de Dilma.
"O que conheço é o que está na internet. Sei que é economista, muito capaz, estudiosa e se transformou em especialista em energia elétrica num país tão grande como o Brasil", afirma Jacoby. "De Serra, não sei muito."
Sobre as suspeitas que se levantam sobre a candidata na quebra de sigilos fiscais, minimiza: "Em todos os países há escândalos. Na Argentina, é a mesma coisa". O artista vê semelhanças entre Dilma e a presidente Cristina Kirchner: "Sofrem preconceito por serem mulheres e progressistas e por apoiarem os sindicatos e os sem terra".

*Publicado no Jornal Folha de São Paulo em 17/09/2010 (sexta-feira)