sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Paixão de argentino pelo PT vira instalação na Bienal

*O artista argentino Roberto Jacob/fotografafo por Marcelo Justo/Folhapress

Por Ricardo Westin

Perto de 160 artistas do mundo todo darão forma à 29ª Bienal de São Paulo. A concorrência será grande, mas o argentino Roberto Jacoby já sabe que terá muitos holofotes voltados para si.
Jacoby, 66, é fã incondicional do Partido dos Trabalhadores brasileiro, e essa paixão será o chamariz de sua instalação nesta edição da Bienal, que será aberta no sábado da semana que vem.
No espaço que lhe coube no prédio do parque Ibirapuera, ele acaba de montar duas fotos gigantescas --de 4 m de altura e 5 m de largura cada uma-- que mostram um carrancudo José Serra (PSDB) e uma radiante Dilma Rousseff (PT).
Ao longo dos dois meses e meio da megaexposição internacional de arte, Jacoby terá cerca de 25 "cabos eleitorais" argentinos distribuindo panfletos, adesivos e buttons do PT e de sua candidata à Presidência da República.
Eles também são artistas e estão ajudando Jacoby na montagem da instalação. Todos estarão uniformizados com uma camiseta vermelha com os dizeres "Dilma" na frente e "Brigada Argentina por Dilma" nas costas.
"Somos a favor da continuidade do governo do PT, que tem sido importante para a democracia e a unidade na América Latina", explica, empolgado, Roberto Jacoby.Essas fotos de Dilma e Serra foram tiradas da internet e escolhidas por terem os direitos autorais liberados.

AMBÍGUA LIGAÇÃO

Para o artista argentino, a presença de Dilma Rousseff na Bienal é inevitável. Por determinação dos organizadores, a "estreita e ambígua ligação entre arte e política" é o mote que deve permear todas as obras.
A instalação de Jacoby leva o título "A Alma Nunca Pensa sem Imagem". Ali, além de verem os candidatos, os visitantes assistirão a palestras sobre arte e filosofia, ouvirão leituras dramáticas e participarão de oficinas de arte. Nas oficinas de serigrafia e desenho, aprenderão a fazer cartazes do PT.
"Tudo é artístico", diz Jacoby. "Estou trazendo para dentro, na forma de arte, o que acontece lá fora." Procurados pela Folha, os curadores da Bienal não quiseram falar dos "cabos eleitorais".

PATROCÍNIO

A Brigada Argentina por Dilma foi organizada só para a Bienal. Segundo Jacoby, não é ligada ao PT.
Os simpatizantes argentinos chegaram a pedir patrocínio ao Partido dos Trabalhadores. A ideia era, com o dinheiro, encher uma parede com estrelas vermelhas. O PT respondeu que não poderia contribuir porque a propaganda eleitoral está proibida em prédios públicos.
Essa instalação recebeu R$ 40 mil dos organizadores. A Bienal arrecadou R$ 30 milhões de empresas privadas, incentivadas pela renúncia fiscal da Lei Rouanet.
Os "brigadistas" ficam animados quando falam do presidente Lula, mas admitem que sabem pouco de Dilma.
"O que conheço é o que está na internet. Sei que é economista, muito capaz, estudiosa e se transformou em especialista em energia elétrica num país tão grande como o Brasil", afirma Jacoby. "De Serra, não sei muito."
Sobre as suspeitas que se levantam sobre a candidata na quebra de sigilos fiscais, minimiza: "Em todos os países há escândalos. Na Argentina, é a mesma coisa". O artista vê semelhanças entre Dilma e a presidente Cristina Kirchner: "Sofrem preconceito por serem mulheres e progressistas e por apoiarem os sindicatos e os sem terra".

*Publicado no Jornal Folha de São Paulo em 17/09/2010 (sexta-feira)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sinais Trocados

*Verônica Serra, filha do candidato a presidente José Serra.

O jornalisata Leandro Fortes, um dos articulistas da Revista CartaCapital publicou na mais recente edição (613) uma matéria brilhante em que destrincha o envolvimento da extinta empresa de Verônica Serra que expôs os dados bancários de 60 milhões de brasileiros obtidos em acordo questionável com o governo FHC.

Vale a pena ler pra se ter a exata noção do "cara de pau" do Serra que vai ao ar pedindo lisura nas ações nas ações da Receita Federal no governo Lula quando a sua filhinha, supostamente, ganhou uma fortuna graças a informações privilegiadas nos tempos do desgoverno do FHC.


Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cotidiano – A lei não é pra todos

http://charges.uol.com.br

Outro link do charges.com.br – A charge foi inspirada, segundo o site, no questionamento de um internauta, José (São José dos Campos – SP) sobre a abrangência de uma lei feita para proteger as crianças brasileiras. A questão é bastante instigante, por isso decidi sociabilizá-la com vocês.

Secos & Molhados: Os Gerrilheiros - Pops X O Dragão da Maldade – I


Procurando na web a data oficial do lançamento do primeiro disco do grupo Secos & Molhados encontrei o site http://jeocaz.wordpress.com/2009/11/26/secos-molhados-o-gato-preto-cruzou-a-mpb que, além informar a data exata, faz um histórico detalhado da carreira desta banda que marcou profundamente a música brasileira. Portanto, deixo o link pra que vocês possam assessá-lo e conhecer mais sobre a história do grupo que contribuiu efetivamente com revolucionou na música tupiniquin.

Introduzindo o artigo do Marcelo Dolabela gostaria apenas de ressaltar a importância do Secos & Molhados a partir do olhar e da audição de um garoto de oito anos que vivia numa cidade com uma população entre vinte e trinta mil habitantes. Esse garoto era eu e a cidade Jataí, sudoeste do estado de Goiás.

O disco foi lançado no dia 6 de agosto de 1973. Eu completei 8 anos no dias 5 de agosto. Até então, a minha introdução no universo musical estava assentanda basicamente na música caipira de raiz (redundância), embora já ouvisse através da rádio Difusora de Jataí (AM) alguns sucessos dos Beatles, Stones, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tim Maia, Rita Lee e, claro, os cantores populares Amado Batista, Agnaldo Timóteo dente outros. Mas sem dúvida, o forte ainda era Tonico e Tinoco e as grandes duplas caipiras da época.

Mas foi a partir da audição daquelas canções incríveis que o garoto viu seu universo sonoro virar de cabeça pra baixo. Quando me dei conta estava cantando cotidianamente "O Vira", "Rosa de Hiroshima", "Patrão Nosso de Cada Dia", "Assim Assado" e "Sangue Latino". Mas surpresa mesmo foi assistir ao lado de meu pai em setembro de 73, ao vivo e em "preto e branco", o clip de uma canção do Secos & Molhados no programa Fantástico da Rede Globo. Aquela imagem das cabeças cortadas cantando e servidas numa bandeja, certamente, foi um divisor de águas na minha vida. Posso afirmar categoricamente que a música, o visual e a coregorafia do grupo provomeu uma revolução no meu olhar infantil que me influenciaria por toda minha vida.

Daí a meu encantamento com o Secos & Molhados e o desejo de divulgar sempre a sua trajetória apoteótica! Hoje coleciono discos de vinil e devo ter umas doze edições desse primeiro disco. Já agraciei vários amigos com essa preciosidade e, sempre que encontro o disco em algum sebo, não reluto em adquiri-lo.

Há anos fui presenteado pelo amigo Manoel Napoleão com este artigo sobre o Secos & Molhados que publico abaixo. Por muito tempo ele ficou perdido na minha casa. Sempre que comentava sobre o grupo eu mencionava o texto. Confesso que já havia perdido a esperança de reencontrá-lo. Como não havia guardado o nome do autor, realmente, acreditei que guardaria na memória apenas a idéia geral do autor sobre a trajetória do grupo. Todavia, revirando a minha papelada acabei encontrando o artigo que agora compartilho com vocês. Espero que gostem!
Ah, o autor termina o texto avisando que na próxima semana publicará outro artigo sobre "as 13 canções do disco". Consegui estabelecer contato com ele e estou aguardando a referida publicação. Estou super curioso!!!

Marquinho

Secos & Molhados: Os Gerrilheiros - Pops X O Dragão da Maldade – I

Por Marcelo Dolabela

Assim como Deus e o Diabo estão nos detalhes, a História – que é o embate dialético entre essas duas forças (a divina & a diabólica), também está nos detalhes.
Entender os detalhes, que, às vezes, não são tão desprezíveis assim, como já faz a “escola” surgida a partir dos pressupostos de Walter Benjamin, dá uma nova dimensão aos grandes fatos.
No ano passado, comemoramos o trigésimo aniversário de um desses “detalhes” que, de forma nova e inusitada, nos permite ler e entender um pouco mais as etapas e as fases da ditadura militar.
Falo do ano de 1973, apogeu do “milagre brasileiro”, antevéspera da primeira “crise do petróleo”, na penumbra do governo do General Emílio Garrastazu Médici (1905-1985); e do primeiro álbum do grupo Secos e Molhados, o “detalhe” exuberante da “grande história”.
Em tudo, o álbum é surpreendente. Da capa às canções. Dos integrantes ao sucesso.
O Secos & Molhados foi criado em novembro de 1971, em São Paulo. A partir de uma mistura, bem ao feitio tropicalista, de estilos: rock, pop, glitter/glam rock, MPB, música latina, música portuguesa, e muita & boa poesia (Vinícius de Moraes, Cassiano Ricardo, Fernando Pessoa, Júlio Cortazar, João Apolinário – pai de João Ricardo -, Oswald de Andrade, Solano Trindade e Manoel Bandeira).
O núcleo central, em sua primeira fase (11/71 – 08/74), trazia o dublê de cantor ator Ney Matogrosso (Ney de Souza Pereira – Bela Vista – Mato Grosso, 01/08/41); o instrumentista, compositor, vocalista e cérebro do grupo, o português, radicado no Brasil, João Ricardo (João Ricardo Carneiro Teixeira Pinto. Ponte do Lima – Portugal, 21/11/1949) e o instrumentista, compositor e vocalista Gérson Conrad (São Paulo – SP, 15/05/1952).
No acompanhamento, os músicos: Zé Rodrix (teclados e sopros); John Flavi (guitarra); Emílio Carrera (piano, órgão, percussão e gaita); Willy Verdaguer (contra-baixo); Marcelo Frias (bateria); Norival D’Ângelo (bateria) e Sérgio Rosadas (flauta e ocarina).
O Grupo foi o encontro feliz entre idéias e canções de João Ricardo com a postura, a misèen-scene e a voz de Ney Matogrosso, mais a contraforma da contribuição fundamental de Gerson Conrad e os olhos e mente de Moraci do Val, o descobridor e empresário.
O álbum foi lançado, originalmente, no formato de long playing.
A capa do disco foi eleita, pela Folha de São Paulo, em 2001, como a mais importante da história da MPB. Com lay-out de Antonio Duarte Ambrósio, sobre fotografia de Antônio Carlos Rodrigues, a capa traz as cabeças-caras cortadas e maquiadas de Ney, João Ricardo, Gerson Conrad e do baixista Marcelo Frias servidas em pratos de papel-alumínio, entre cebolas, pães, feijão, defumados, tablete de manteiga e garrafas de vinho. Como se, antropofagicamentte, o grupo fosse servido em um banquete pop-popular. A logomarca “Secos e Molhados”, manuscrita e em púrpura, faz o contraste “glitter-underground” com a prosaica mesa de refeição. E remete à dúbia abreviatura do nome. Isto é, S&M também é a abreviatura de “sado-masoquismo”.
A maquiagem do grupo é outro ponto de destaque. Glitter, pré-Kiss e contemporânea de Alice Cooper (inclusive há uma “lenda” que foi a partir do visual do S&M que o grupo Kiss criou suas “personas-máscaras”), amplifica o gesto andrógeno e circense do arquétipo grupo carioca Dzi Croquettes, de Lennie Dalle e Cláudio Tovar.
O figurino potencializa as personas-máscaras. Hippies desnudos – em destaque Ney Matogrosso – reúnem traços de folguedos luso-brasileiros com bijuterias e balangandãs circenses e carmenmirandianos. Amalgamando maquiagem e figurino, a dança erótico-andrógena de Ney.
A parte melódica é de uma simplicidade ímpar. Qualquer aprendiz dos rudimentos de violão é capaz de executar as melodias. Poucos acordes, batida folk-rock com toques lusos, latinos e brasileiros. Base mais do que propícia e sedutora para os excelentes textos das canções. Sem dúvida, uma das seleções mais felizes de toda história da música brasileira.
Treze canções constroem um ópera-pop. Esse número – 13 – não parece ser gratuito, pois nos remete ao universo simbólico e metafórico da “sacis e fadas”, bem ao gosto da ideologia do grupo. Na semana que vem: as 13 canções do álbum.

Marcelo Dolabela, poeta.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Espinha e Fimose - Candidato Lesado 2

Posto mais uma charge do Espinha e Fimose dando sequência à candidatura do amigo "Lesado" (ops! Diego Arnaldo) discursando num palanque de comício.

http://charges.uol.com.br/2010/09/05/espinha-e-fimose-candidato-lesado-2

Organizações Serra marcham unidas rumo ao golpe?


Por Augusto da Fonseca

Estou a trabalho no interior da África, num lugar sem acesso à internet e sem informações do Brasil, que só me chegam através da minha neta de (agora) 4 anos, com quem converso por telefone uma vez por mês, quando vou à capital.

Fiquei sabendo, por ela, que o Serra está acusando a Dilma de quebra de sigilo da sua (dele) filha e de outros ínclitos companheiros de partido. Aproveitei a vinda à capital (que tem acesso discado à internet, acreditem!) para escrever estas bem traçadas linhas.

O fato da falsificação da procuração da Verônica Serra e a detecção da quebra de sigilo dela, dos companheiros do Serra e de mais 130 pessoas ocorreu em setembro de 2009. Nem a Dilma era pré-candidata do PT, nem o Serra do PSDB.

A definição da pré-candidatura única do PSDB (Serra) se deu somente em dezembro quando o Aécio, num lance de gênio, após ter sido humilhado e sacaneado pelo Serra (espero que não tenha sido chantageado com um tão falado dossiê), desistiu da pré-candidatura, deixando o Serra na mão, sem o Aécio de vice.

Como até a minha neta de 4 anos sabe, o Serra é o político brasileiro com mais inimigos políticos: apenas na sua coligação, podemos citar o Alckmin, o Aécio e todo o DEM, entre muitos outros e outras.

Dado esse quadro, algumas perguntas precisam ser respondidas pelo dedo-duro-mór José Serra:

1. É possível que tenha sido montado um dossiê com informações da Verônica, do Eduardo, do Ricardo, do Luiz Mendonça por seus inimigos políticos dentro da sua própria coligação?

2. Se o sigilo dessas pessoas foi quebrado em setembro de 2009, pelos supostos arapongas do PT, porque até hoje nada veio à público para beneficiar a campanha da Dilma?

3. Considerando os fatos de que à exceção da Verônica, todos os demais estão sendo processados, o que haveria de tão sigiloso nas declarações de imposto de renda dos companheiros do Serra que seria tão pior do que o que já é de conhecimento público?

4. O Serra é ingênuo de imaginar que os eventuais e ingênuos arapongas do PT pensariam que nas declarações de renda da Verônica haveria a prova cabal de que ela foi sócia da Verônica Dantas, irmã do Daniel Dantas?

5. O Serra e o PSDB acredita mesmo que acusar sem provas o PT e a Dilma lhe dá votos para exercer a Presidência? Não seria melhor ele se candidatar a algum cargo de promotor, já que gosta de acusar o tempo todo em vez de falar de política e de programa de governo?

6. As Organizações Serra (Globo, Folha, Estadão e Veja, entre muitos outros) precisam responder à uma pergunta não respondida ainda: porque o Aécio Neves, que tanto lutou pelas prévias no PSDB e que tinha o apoio maciço do DEM, desistiu tão facilmente de concorrer à pré-candidatura a presidente e ficou tão fulo de raiva que não aceitou de forma alguma a vaga de vice do Serra? O que o Serra teria feito de tão grave que "convenceu" o Aécio de que ele não poderia ser candidato a presidente? Finalmente, porque as Organizações Serra se calaram diante desse importante fato político e jornalístico?

7. Porque as Organizações Serra não suspeitam do Aécio e do DEM terem preparado um dossiê-antídoto ao do Serra, quebrando o sigilo da sua filha Verônica, só para mostra que podia fazer muito mais?

8. Porque as Organizações Serra não fazem matérias mostrando que, em oito anos de governo, Lula e Dilma não conseguiram desmontar a poderosa máquina PSDB-DEM montada na Administração Pública federal, com milhares de funcionários, com função de estado e concursados, que fazem oposição sistemática ao governo Lula, além de outros "servicinhos" de arapongagem?

Minha tese é essa: ou foi coisa dos profissionais do PSDB-DEM ou era mesmo um balcão de vendas de facilidades.

Porque custo muito a crer que o PT tenha feito todos esse levantamento de informações sigilosas e não tenha dado consequência a nenhuma delas, deixando a Dilma ao Deus dará dos resultados do magnífico governo do qual fez parte. Ou eles sabiam muito bem que a Dilma não precisaria, não precisou, não precisa e não precisará disso para se eleger a primeira Presidenta do Brasil. Para desespero da malta demo-tucana-pepessista.

Após este meu ato cívico, retorno ao interior africano, onde a humanidade começou :)

Abraços lulistas e dilmistas

Augusto da Fonseca
Texto postado no Fórum Permanente de Cultura do PT de Goiás no dia 4/09/2010

Ordem no caos

TOSTÃO

"Tornar simples o que é complexo é uma dificuldade de qualquer profissional"

QUANDO ENTREI no curso de psicanálise, imaginei que jamais entenderia as ideias de Freud. Logo percebi que seus textos eram tão claros, convincentes e simples, que até os mistérios da alma tinham lógica. Freud colocou ordem no caos.
Quando joguei ao lado de Pelé, percebi que uma de suas principais qualidades era tornar simples o que era complexo. Tudo se iluminava à sua frente.
Antes de a bola chegar, Pelé parecia me dizer, com seu olhar vivo e amplo, tudo o que ia fazer. E ele fazia, porque tinha uma excepcional técnica. Muitos pensam e não fazem. Outros fazem (mal), sem pensar.
Há muitos jogadores habilidosos, que ensaiam grandes jogadas, entretanto nada acontece, por falta de técnica e/ou porque não sabem os caminhos mais simples. Enrolam. Parecem talentosos, mas não são.
O talento vai muito além da habilidade. O talento é a união da habilidade, da técnica, da criatividade e de condições físicas e psicológicas.
Nada disso é suficiente se não houver o sopro, a chama, que ilumina e incendeia nossas vidas.
O mesmo ocorre em todas as atividades.
Assim como os melhores professores não são sempre os melhores médicos, os melhores treinadores não são sempre os que têm mais conhecimentos técnicos, táticos e informações. São os que possuem tudo isso e mais a capacidade de observar, intuir e simplificar.
Não existe também o ótimo técnico somente prático, que fala a "linguagem dos boleiros", sem ter conhecimentos científicos. A teoria sem a prática é incompleta. A prática sem a teoria é uma grosseira simplificação.
O jovem técnico do São Paulo, Sérgio Baresi, tem chamado a atenção em suas entrevistas pelo excesso de palavras e expressões técnicas, acadêmicas, algumas incompreensíveis.
Além da insegurança de um jovem, tentando mostrar seus conhecimentos, Baresi, por seus gestos e suas palavras, parece um estudioso, um CDF, que acabou de sair, após longo tempo, de um laboratório de pesquisas.
O repórter José Ricardo Leite, da Folha, mostrou, em uma ótima reportagem, que Baresi comanda treinamentos com cinco gols, cinco goleiros, realiza coletivos com mais de 22 jogadores e outros detalhes, além de distribuir pen drives e DVDs para os jogadores conhecerem os adversários. Tudo com base científica.
Tomara que Baresi não seja apenas um teórico. O futebol precisa de treinadores e de profissionais que saibam como fazer e que saibam fazer.

Publicado no Jornal Folha de São Paulo – Domingo – 05/09/2010