Aproximando o período das eleições municipais em todo País, começam também as articulações políticas em busca das coligações partidárias com vistas ao próximo pleito eleitoral. Trata-se de uma prerrogativa natural do regime democrático. Entretanto, é um momento bastante delicado, afinal, uma coligação equivocada pode afundar as pretensões eleitorais de uma determinada legenda.
Nesse sentindo, gostaria de fazer uma análise histórica das coligações do Partido dos Trabalhadores de Jataí nas últimas duas eleições municipais. De antemão, adianto, foram todas catastróficas do ponto vista político eleitoral.
A primeira, em 2000, o partido decidiu apoiar a candidatura de Mauro Antonio Bento. Os “gloriosos” companheiros quiseram subverter as leis da química, tentanto misturar água e óleo. Evidente que tal mistura jamaais seria concretizada efetivamente. Faço essa afirmação porque o ex-prefeito e deputado Mauro Bento sempre pautou a sua história política pela postura centralizadora e populista. O PT, pelo contrário, construiu a sua história calcado nos debates em suas bases, portanto, descentralizando as decisões. O “populismo”, por sua vez, é uma tática eleitoral personalista que não condiz com a conduta do Partido dos Trabalhadores, que prioriza o debate de idéias e não o culto à personalidade de seus lideres. Como se isso não bastasse, o segundo mandato de prefeito do então candidato Mauro Bento, havia sido uma lástima. Sendo assim, a coligação foi, como eu costumo denominar: “um tiro no pé”. O partido entrou naquela campanha ferindo seus princípios fundamentais.
Como historiador, sempre acreditei que as experiências históricas nos servissem como lições para futuras empreitadas. Todavia, pelo visto, o PT de Jataí não é muito chegado a uma análise de sua história para projetar suas ações. Digo isso porque, em 2004, novamente, o partidio fez uma coligação desastrosa.
Desta vez o PT se alinhou ao PMDB. Embora o ex-prefeito Humberto Machado tivesse feito uma administração que agradara bastante à população jataiense, a coligação não foi muito bem aceita no “ninho” do PMDB e, muito menos, pelos companheiros petistas. Resultado, o partido saiu dividido para o pleito eleitoral e não contribuiu, efetivamente, com a candidatura pemedebista, que acabou perdendo as eleições. Lembrando que os candidatos a vereador pelo PT ficaram “amordaçados” no palanque do candidato Alcântara, pois durante oito anos a vereadora Bia havia feito uma dura oposição à administração de Humberto Machado e, de um momento para o outro, tornou-se sua aliada. Então, as críticas que deveriam ser feitas pelos candidatos do PT, acabaram não sendo ouvidas pela população e, diante dessa omissão, não conseguimos eleger nenhum vereador, perdendo, inclusive, a nossa vaga na Câmara Municiapal, ocupada, até então, pela vereadora Bia, que optou por sair como candidata a vice-prefeita na chapa do PMDB.
Agora, observem bem a “cegueira” política e histórica de alguns membros do PT jataiense. Para as próximas eleições, qual a postura que você, eleitor, imaginaria do Partido dos Trabalhadores? Penso que todos apostariam numa nova coligação com o PMDB ou, na pior das hipóteses, lançando mão de uma candidatura própria. Entretanto, o que se anuncia pelas articulações de um grupo dentro do PT, que se alinhou ao atual prefeito Fernando Peres, é a tentativa de apoio à sua reeleição. Então, vejam vocês, o que no passado foi “um tiro no pé” para o futuro petista em Jataí, agora, certamente, será o próprio suicídio político através da “forca”. Antes, com o pé dilacerado, o partido ainda teve forças para se reeguer e continuar sua caminhada. Todavia, creio que ninguém sobreviva com o pescoço estrangulado.
Nesse ponto, faço a pergunta que não pode calar: quais as motivações desse grupo que se denomina de petistas (não o são!), para apoiar uma administração envolvida em dois processos de CPI que foram impedidos pelos vereadores da situação e que, em quase quatro anos, não executou nenhuma obra significativa para a cidade? Esse senhor que alguns ditos petistas querem apoiar, entrará para a história política de Jataí como protagonista de uma de suas piores administrações. Portanto, caso o Partido dos Trabalhadores entre nesse “barco totalmente furado”, estará, definitivamente, enterrando seu futuro político em Jataí.
Como petista histórico, fico até constrangido e, por que não confessar, enojado, quando vejo o atual prefeito falando abertamente que terá o apoio do PT de Jataí, quando, essa decisão ainda não foi submetida à apreciação dos verdadeiros petistas. Tem indivíduo que se diz petista e que posou junto com o prefeito, hipotecando o apoio do partido nas próximas eleições. Essa pessoa, certamente, não conhece o histórico partidário do PT que sempre priorizou o debate nas suas bases para se tomar uma decisão importante. Portanto, é necessário que o atual prefeito saiba que, nós, petistas históricos, não seremos seus “badecos” nas próximas eleições.
O prefeito, que, certamente, deve ter se acostumado a ver todos os seus pedidos serem prontamente atendidos por seus assessores, deve estar imaginando que todos os petistas são da mesma estirpe dos que estão ao seu lado. Mas saibam, caros jataienses e o próprio senhor prefeito, que o quadro do PT tem muitos companheiros coerentes com a história do partido, e estes saberão muito bem dizer não à essa desonrosa coligação. Temos um nome a zelar e não vamos atrelar a nossa sigla petista com uma administração que envergonha a maioria de nossa população jataiense.
Marquinho Carvalho
www.bocalivre.org
sábado, 12 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
Memória "Tombada"

(Clique sobre a imagem para ampliá-la)
Na clássica canção Sampa, de Caetano Veloso, há um verso que diz: “da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. O poeta cantor se refere, obviamente, ao poder do capital moldando as paisagens.
Em Jataí a frase deveria se adaptada: “a estupidez humana que destrói coisas belas”. Refiro-me às constantes destruições do patrimônio histórico de Jataí. Apesar de termos uma lei em nosso município que regulamenta a preservação de nossa memória através da manutenção de casarões antigos e prédios públicos que mantém a sua arquitetura original, verificamos, ano após ano, o desaparecimento desses imóveis.
A maioria dos prédios históricos são particulares e, os seus proprietários, constatando a valorização do terreno, tratam de derrubá-los para conseguir um bom dinheiro com a venda da área. Repito, apesar da lei, que parece ter sido elaborada para “inglês ver”, percebemos que ela é ignorada e os prédios que foram tombados como patrimônio histórico são, literalmente, “tombados”, ou seja, derrubados. A punição aos proprietários que descumprem a lei é irrisória, portanto, incentivam as ações criminosas.
Quando nos deparamos com essas ações que estão destruindo a nossa memória coletiva ficamos bastante desapontados. Persistindo esse processo destruidor, infelizmente, as futuras gerações não terão oportunidade de conhecer as concepções arquitetônicas dos nossos antepassados.
Mas o pior de tudo isso é quando constatamos que a iniciativa da destruição dos monumentos históricos não estão partido somente da iniciativa privada. Lamentavelmente, percebemos que o próprio estado que, deveria ser o guardião da lei e garantir a preservação do patrimônio histórico, torna-se um dos responsáveis pela sua destruição.
Pode ser ainda pior? Como diria o meu amigo Rangel, maranhense: “barco perdido, bem carregado”. Na qualidade de professor, é constrangido que afirmo positivamente a indagação que fiz. Por que faço esta afirmação envergonhado? Ora, vejam vocês que, a escola, que deveria ser o mais forte aliado nessa campanha de preservação de nossa memória, mostrando aos nossos alunos a importância desses monumentos para as futuras gerações, acaba se tornando um dos agentes da destruição do patrimônio histórico.
Foi o que aconteceu no Colégio Marcondes de Godoy. O prédio histórico que fica na rua Rui Barbosa, ao lado da praça Tenente Diomar de Menezes, teve parte do seu muro derrubado para a instalação de uma estrutura tipo “pit dog”. Vale ressaltar que a escola ficou fechada durante vários meses para uma ampla reforma em suas instalações onde foram mantidas todas as características arquitetônicas originais, afinal, o prédio é tombado pelo patrimônio histórico. Foi investido muito dinheiro público para trazer às novas gerações a beleza original do período em que o prédio foi inaugurado. Portanto, a Colégio Marcondes de Godoy, localizado no centro da cidade, tornou-se um cartão postal para os jataienses e um belo exemplo do trabalho humano em favor da preservação de nossa memória.
Agora, numa atitude tosca e desrespeitosa com a comunidade, parte do muro veio abaixo para a instalação de um ponto de comércio em seu lugar. A fachada do edifício, extremamente linda, e que conduzia o nosso olhar e nossa imaginação, como num passe de mágica, para meados do século passado, agora nos arremessa para uma espécie de terrível pesadelo estético, retrato vivo desse famigerado mundo globalizado. Ou melhor, tradução literal da estupidez humana!
domingo, 23 de março de 2008
"Os Melhores Prefeitos do Brasil"

Assim fica fácil. Basta você pagar e será relacionado entre os melhores em qualquer atividade e, como reconhecimento, terá seu nome publicado numa revista de circulação nacional. (CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)
Pois foi isso que aconteceu com a tal publicação dos "Melhores Prefeitos do Brasil" que foi publicado na revista Carta Capital como informe publicitário, edição nº 478. A empresa Kriação Propaganda distribuiu aos prefeitos de todo Brasil um folder para que os interessados pagassem o valor de um mil e quinhentos reais para constarem numa suposta pesquisa que apontaria os "melhores prefeitos do País". Na maioria absoluta das cidades que tiveram seus prefeitos "eleitos" entre os melhores, não se indentificou ninguém que tivesse respondido a nenhuma pesquisa com esse fim. Portanto, o négocio foi: "pago, logo, estou entre os melhores prefeitos do Brasil".
Isso me lembra os antigos concursos de rainhas de festas em que a garota que vendesse mais bilhetes, seria eleita a rainha da respectiva festa. A única diferença, no caso dos "melhores prefeitos do Brasil" bastaria apenas o pagamento da bagatela mencionada no folder e "correr pra galera".
A expressão futebolística deverá apenas ser adaptada. "Correr pra galera" para os prefeitos que tiveram seus nomes relacionados, variou nas diversas cidades. Alguns espalharam faixas pela sua cidade com o resultado da suposta pesquisa, outros trataram de divulgá-la em altdors. Tiveram os que optaram pela divulgação em carros de som e os que escolheram jornais, rádios, tv e revistas de sua cidade. Todos, porém, valorizaram bastante os mil e quinhentos reais. Afinal, como está escrito no tal folder que insite com os prefeitos que não pagaram pela primeira publicação: "será a última oportunidade de mostrar sua eficiência como gestor público. Se isto é importante em qualquer tempo, imagine em ano eleitoral".
Publiquei a repercussão dessa notícia no site http://www.bocalivre.org/ no dia 22 de fevereiro com o título: "Os Melhores Prefeitos dos Brasil". A tal publicação que saiu como informe publicitário na revista Carta Capital rendeu muita indignação dos leitores fiéis da revista. Tanto que estava prevista uma segunda edição da tal lista dos "melhores prefeitos", mas a revista desisitiu da idéia.
Marquinho Carvalho
sábado, 22 de março de 2008
Assim não "Dapé"

Os companheiros do site Jataí News linkaram o vídeo da reportagem exibida no Jornal Hoje da TV Globo que denuncia a fraude no processo de seleção do concurso público realizado na cidade Itabela, interior da Bahia, organizado pela empresa Méritum Consultoria e Assessoria Ltda, a mesma que foi contratada pela prefeitura de Jataí para efetuar concurso público em nosso município. A notícia foi postada por Alípio Queiroz.
Transcrevi do conteúdo da reportagem narrada por Sandra Anemberg e Evaristo Costa. A matéria foi ao ar no dia 20 de março de 2008.
“Um concurso público é anulado na cidade de Itabela, interior da Bahia. O motivo, fraude no processo de seleção. Os 239 candidatos aprovados teriam ligação com funcionários da prefeitura. Um deles, acredite, é analfabeto. O concurso foi feito em setembro do ano passado. Segundo o ministério público, as folhas de respostas entregues pelos candidatos foram alteradas. Uma perícia comprovou que as assinaturas também foram falsificadas. Até um candidato analfabeto foi aprovado. Entrevistado pela nossa equipe, ele disse que passou porque Deus quis assim. - Fala do entrevistado - “Deus deu consentimento e eu passei, né”.
Links:
É um tremendo absurdo que a prefeitura de Jataí contrate uma empresa envolvida em denúncias dessa natureza, para realizar o seu concurso público para contratação de funcionários para o nosso município. Evidente que o primeiro procedimento que a assessoria jurídica da prefeitura deveria ter tomado era averiguar o histórico da empresa que seria contratada. Reparem bem, o concurso em que foi verificado a suposta fraude envolvendo a empresa Méritum, foi realizado em 23 de setembro do ano passado. Portanto, o Ministério Público já estava investigando as possíveis irregularidades no processo de seleção. Só esse fato já bastaria para não contratá-la. Afinal, você aceitaria alguém sob suspeita de procedimentos irregulares para prestar serviço para sua empresa? Creio que não. Todavia, a prefeitura de Jataí agiu na conta-mão do bom senso.
Como é do conhecimento de toda população jataiense, a atual administração contratou muitos funcionários sem a devida realização de concurso público e, justo agora, faltando poucos meses para as eleições municipais, decide realizá-lo. Tal procedimento deveria ter sido adotado assim que o digníssimo prefeito assumiu a administração e constatou que seria necessário a contratação de mais funcionários.
Um concurso público organizado em período pré-eleitoral já não é conveniente, agora imaginem a sensação da população sabendo que a empresa contratada para executá-lo esteja envolvida num escândalo de fraude. Sugiro aos nobres vereadores e a população que exijam do senhor prefeito o imediato cancelamento do contrato com a empresa Méritum Consultoria e Assessoria Ltda para realização do concurso público municipal. Com esse processo de fraude em seu histórico, a referida empresa está totalmente desqualificada para conduzir o processo seletivo em nosso município.
É até curioso o lema da empresa Meritum Consultoria e Assessoria Ltda: "O trabalho é nosso...o Mérito é seu". Diante das denúncias de fraude no concurso público na cidade de Itabela, na Bahia, em que até um analfabeto foi aprovado "porque Deus quis assim", a frase torna-se bastante sugestiva. Vejam bem, as reticências estão na logomarca da empresa. Nada mais apropriado!
Concurso Público é cancelado devido à acusação de fraude
No último dia 13, o prefeito de Itabela, Paulo Ernesto Silva, conhecido como Paulo Dapé, assinou um termo de ajuste de conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual, onde se compromete a rescindir o contrato com a Méritum e a não homologar o concurso público realizado pela empresa. De acordo com o representante do MP, promotor Bruno Gontijo, foi constatado, por meio de perícias grafotécnicas, que 70% do material periciado a pedido do Ministério Público Estadual possuía assinaturas falsificadas e que gabaritos foram fraudados.
Marquinho Carvalho
Publicado também no site:
terça-feira, 18 de março de 2008
Odair José e sua "Ópera-rock"
Nascido no interior de Goiás, desde cedo se interessou por música e na adolescência formou uma dupla caipira com um amigo. Mudou-se para o Rio de Janeiro com 18 anos, onde trabalhou como cantor de boates suburbanas e circos, guitarrista de inferninhos na Lapa. No início da década de 70 começou a compor músicas baseadas no que observava na realidade dos inferninhos, bordéis e boates. Seu primeiro compacto, "Eu Vou Tirar Você Deste Lugar", falava de um homem apaixonado por uma prostituta, e tornou-se um de seus grandes sucessos. Ele chegou a cantar a música em duo com Caetano Veloso no espetáculo Phono 73, organizado com o contratados da então gravadora Phonogram (hoje Universal). Logo, Odair José se transformou no maior ídolo da música brega, vendendo milhões de discos e emplacando hits como "Pare de Tomar a Pílula", proibida pela censura. Em 1977 surpreendeu ao criar uma "ópera-rock", "O Filho de José e Maria", mas logo em seguida voltou ao estilo antigo.Compartilhado do Blog Som Barato/Cliquemusic
http://sombarato.blogspot.com/search/label/Odair%20José
http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/odair-jose.asp
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Odair José, o artesão da música popularíssima brasileira
Publicado em 26 de novembro de 2007.
O cantor e compositor goiano Odair José de Araújo é o cronista das pessoas que amaram, já choraram muito por causa deste sentimento com nome de paçoca que se esfarela na boca e não têm o menor pudor em admitir isso. É o menestrel das pessoas que amam, porém vivem com medo de perder o ser amado, relatando seus dramas em canções que possuem como eus líricos putas, operários, empregadas domésticas, taxistas e outros representantes das classes sociais menos favorecidas. Não à toa, foi apelidado de "Bob Dylan da Central do Brasil". Suas letras são diretas, despojadas de firulas metafóricas, e calam fundo no peito daqueles que têm suas dores e sentimentos esquadrinhados por canções como "Deixa Essa Vergonha de Lado", "Esta Noite Você Vai Ter Que Ser Minha" e "A Maçã e a Serpente".
Antes de se tornar sucesso popular e vender milhões de discos, Odair José passou por muitos perrengues. Fugiu de casa para tentar a carreira artística no Rio de Janeiro. Lá, dormiu na rua, na praia e até no banheiro do Aeroporto Santos Dumont. Trabalhou cantando em bares, puteiros e inferninhos, testemunhando cotidianamente histórias que seriam fundamentais para a sua carreira de repórter musical dos desafortunados da vida.
Odair gravou seu primeiro disco em 1970, e não tardaria para fazer sucesso em todo o país com músicas simples e marcantes, que dispensavam preliminares e iam direto aos finalmentes. Em entrevista a Pedro Alexandre Sanches, Odair explica porque, em plena época da ditadura, compunha composições que eram consideradas "pornográficas" por sua própria sogra (quando uma música de seu genro tocava no rádio, ela simplesmente o desligava): "O namoro das pessoas já não era mais o namoro do portão, nem de olhar estrelas no céu. Era também isso, mas na verdade as pessoas já estavam transando, o relacionamento do namoro já era sexo mesmo. Não estavam mais se apaixonando apenas por pegar na mão, como se falava nas músicas, negócio de cordão, anel, beijo na boca. Não, já estavam transando. Eu observei aquilo e comecei a fazer minhas letras nesse sentido".
Em depoimento dado ao excelente site Censura Musical, Odair revela que houve tempos em que, de cada 12 canções que fazia, sete sofriam tesouradas impostas pela ditadura.
Não é difícil compreender o porquê de tamanha perseguição. Em declaração dada a Paulo César de Araújo para Eu Não Sou Cachorro Não , livro fundamental para a revisão da importância dos artistas considerados bregas ou cafonas na história da MPB, Odair explica: "Eu vim falando de cama, de pílula, de puta, de empregada doméstica, porque essa é a realidade do Brasil. Foi por isso que eu me tornei um artista polêmico, e a censura começou a me proibir". Diga-se de passagem, o ex-marido da cantora Diana não sofreu represálias apenas da Censura. Devido a obras como a ópera-rock O Filho de José e Maria, de 1977, livremente inspirada na vida de Jesus, Odair foi excomungado pela Igreja Católica.
Ao longo dos anos, em um processo lento mas paulatino, o valor de Odair José vem sendo reconhecido. Em 2006, por exemplo, diversas bandas reuniram-se para gravar um tributo às composições do goiano, Vou Tirar Você Desse Lugar, com a participação de grupos como Pato Fu, Mombojó, Columbia e Mundo Livre S/A. Um alento para um artista subestimado que até hoje mantém a capacidade de escrever músicas que reverberam os anseios e preocupações populares, compondo canções genuinamente honestas. Em seu álbum mais recente, Só Pode Ser Amor, de 2006, destaco a faixa "Pensão Alimentícia": "Todo mês no dia certo/ Você se lembra de mim/ Na sua conta do banco/ Meu valor nunca tem fim/ Na sua vida eu já sei/ Minha importância é só essa/ Sou pensão alimenticia/ O resto não lhe interessa".
"Nunca Mais" - Faixa inicial do polêmico álbum O Filho de José e Maria, a música é um funk suingado, que surpreende a qualquer um acostumado em carimbar toda a obra de Odair José como brega melado. Em um arranjo com direito a guitarras sincopadas e sopros ao fundo, Odair cunha aqui uma das melhores "pedras de toque" de toda a sua carreira: "Morri de tristeza pra viver de alegria".
Compartilhado do site: www.interney.net
http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/11/26/odair_jose_o_artesao_da_mpb/
Odair José de Araújo, natural de Morrinhos - Goiás
Discografia
Odair José (1970) LP
Minhas Coisas/Meu Céu é Você (1971) CBS
Meu Grande Amor (1972) CBS LP
Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula) (1973) CBS
Lembranças (1974) LP
O Filho de José e Maria (1977)
Odair José (1979) LP
Odair José (1980) LP
Odair José (1989) LP
Odair José – Grandes Sucessos (coletânea)
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O filho-problema de Odair
Escrito por Moziel L. Monk
26-Abr-2007
Odair José tem aparecido na grande mídia nesses últimos meses, teve um tributo promovido por bandas de rock lançado em CD ano passado, participou de uma campanha publicitária de um cartão de crédito e vem dando entrevistas em revistas e programas de TV. Tanto os novos fãs quanto as antigas admiradoras sabem que o gênero de música que o consagrou e que ele ainda defende é o popular brega. Mas em um dado momento da carreira, Odair resolveu inovar e gravou uma ópera-rock.
“Eu agora sou bem diferente...”
Odair José ficou famoso com aquela pérola do cancioneiro onde ele relatava a aventura de um indivíduo que queria se amasiar com uma prostituta. “Eu Vou Tirar Você desse Lugar” vendeu mais de 800 mil cópias naqueles tempos. Ele saiu da CBS e ficou um tempão na Phillips, onde emplacou outros sucessos, como a "Uma Vida Sò" (Pare de Tomar a Pílula) ou “Deixe Essa Vergonha de Lado”, que lhe valeu a alcunha de “cantor das empregadas domésticas”. Devido a sua vivência no meretrício, Odair abordava temas considerados tabus, e na época do regime militar acabou tendo diversos problemas com a censura.
Em 1977, Odair resolve lançar um LP com estilo totalmente diverso do que costumava lançar e que o consagrara junto ao público. Seu plano era produzir um disco em ritmo de rock, estilo garage rock, mesmo sem maiores sofisticações ou requintes técnicos. As influências assumidas de Odair são tão diversas quanto o pianista de Jazz Herbie Hancock, o cantor Peter Frampton e o filósofo Gibran Khalil. Na concepção original de Odair, esse disco seria um álbum duplo que contaria a história de um indivíduo de seu nascimento à morte.
Só que nem tudo saiu como Odair José queria. Mesmo com o aval da sua nova gravadora, os produtores não quiseram arriscar com uma “banda de garagem” e Odair gravou esse disco com a sua tradicional banda Azimute. A gravadora também não quis lançar o álbum duplo, preferindo lançar um único LP.
Em dez faixas, Odair relata em versos a conturbada história do casal-título e do fruto dessa relação fugaz. Em momento algum Odair afirma estar falando de Jesus, e sim de um indivíduo, do “Filho de José e Maria”. Mas a associação é inevitável. E ao colocar o personagem em dilemas existências quanto ao uso de drogas e da sexualidade ele causou celeuma, como também às críticas tecidas à instituição do casamento religioso e a própria igreja. Mesmo sem Odair adotar o termo, a imprensa logo o classificou como uma ópera-rock, certamente comparando-o a obras como Tommy, do The Who, ou The Wall, do Pink Floyd. A gravadora BMG/RCA, que acabara de contratá-lo, apostou em um novo sucesso popular, e ficou a ver navios quando o disco “O Filho de José e Maria” teve críticas desfavoráveis e baixa receptividade do público, e um padre chegou a excomungar Odair José. Muitos acusaram Odair José de tentar elitizar sua obra, se afastando do povão. Resumo da ópera-rock: o disco não vendeu porra nenhuma, o povo não entendeu, a crítica esculhambou, o padre excomungou, a gravadora ficou puta da vida e Odair José só teve aborrecimento. E o pobre ainda teve que ir ao Vaticano pedir perdão ao Papa.
Não obstante o fracasso comercial e a dor de cabeça obtida, vinte anos depois ele mesmo admite que esse disco é um dos melhores trabalhos de sua carreira. Hoje o disco pode ser considerado cult, e não apenas pela curiosidade de ser uma ópera-rock gravada por um ícone brega. O disco tem seus méritos, com arranjos legais, entre o psicodélico e o progressivo, talvez um pouco datados, mas nada que impeça de ser apreciado. Mas o Odair José está presente na simplicidade das letras e no jeito de cronista dos excluídos sociais. Uma pena que o disco não foi bem recebido naquela época, em que o público era bem menos tolerante com ousadias de seus ídolos. E como ele ainda é inédito em CD, só recorrendo a sebos em busca do vinil ou baixando as versões MP3 que circulam pela Internet. No tributo a Odair José, lançado ano passado, a banda Shakemakers regravou a primeira faixa do disco, “Nunca Mais”, e o Pato Fu participou com uma versão de Uma Lágrima, faixa do disco “Coisas Simples”, que seria o segundo disco do LP duplo que Odair originalmente concebera, e que foi lançado apenas em 1978.
http://www.obusilis.net/index.php?option=com_content&task=view&id=117&Itemid=35
Discografia Relacionada pelo site Cliquemusic
http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/odair-jose.asp
LUZ ACESA (1994) • CD
ODAIR JOSÉ (1990) • Vinil
ODAIR JOSÉ (1989) • Vinil
ODAIR JOSÉ (1980) • Vinil
ODAIR JOSÉ (1979) • Vinil
LEMBRANÇAS (1974) • Vinil
ODAIR JOSÉ (1973) • Vinil
ASSIM SOU EU... (1972) • Vinil
MEU GRANDE AMOR (1971) • Vinil
ODAIR JOSÉ (1970) • Vinil
20 SUPER SUCESSOS - ODAIR JOSÉ • CD
Compilação: Marquinho Carvalho
segunda-feira, 17 de março de 2008
A "Bruxa" Arqueóloga

Vocês já ouviram falar de alguma “Bruxa” que dedicasse seu precioso tempo para atividades ligadas a arqueologia? Pois eu posso dizer que conheço uma exceção à regra. Trata-se da “Bruxa do Vinil”, que pode ser conhecida através do blog “Abracadabra”.
A misteriosa “bruxa” tem feito incríveis “escavações” e tem trazido à luz preciosos “tesouros arqueológicos” da música brasileira que foram soterrados na poeira dos porões das grandes gravadoras. E como uma boa arqueóloga, a nossa querida "Bruxa" não trabalho só. No caso da "escavação" do disco que mencionarei abaixo, ela contou com a grande ajuda do "aprendiz de feiteiçeiro" Marcelo, companheiro do Rio Grande do Sul.
A última novidade que o “Abracadabra” nos apresentou foi o disco “O Filho de José e Maria”, do insofismável Odair José. Eu que sou goiano, conterrâneo do artista, atualmente com quarenta e dois anos de idade e ouvia, nos meus tempos da infância e pré-adolescência, os sucessos de Odair José na rádio AM de minha cidade, nunca tive a oportunidade de conhecer esse disco. Evidente que eu adorava ouvir as canções do intérprete e compositor que conquistou o coração das camadas populares do Brasil durante a década de setenta.
Quando Caetano Veloso gravou em 1973 a canção “Eu Vou Tirar Você desse Lugar” do Odair José, causou reboliço no meio intelectual que considerava a criação do artista algo menor. Agora, quando as novas gerações rendem loas ao compositor e gravaram o disco “Vou Tirar Você Desse Lugar” - Tributo a Odair José (2006), reunindo seus grandes sucessos com roupagem contemporânea, tornou-se impossível ignorá-lo.
Daí, fazendo a minha cotidiana visita ao templo da “Bruxa do Vinil”, o blog - http://abracadabra-br.blogspot.com/ – dei de cara com o disco “O Filho de José e Maria”, gravado em 1977. Mas, além de me deparar com essa “preciosidade arqueológica” da verdadeira “musica popular brasileira”, devo dizer que fiquei absolutamente impressionado com a “cozinha” dessa produção.
Como uma grande arqueóloga, a “bruxa” não deixa escapar nenhum detalhe de sua meticulosa escavação. Lá estão relacionados todos os músicos que fizeram parte da gravação do disco.
Para minha estonteante surpresa, constatei os nomes do baixista Alexandre Malheiros, do tecladista José Roberto Bertrami e do baterista Mamão, o trio responsável pelo lendário Azymuth que, durante os anos setenta e início da década de oitenta, conquistou o mercado “estadunidense” e brasileiro com sua moderna música instrumental com “sotaque” jazz fusion e pulsação brasileira.
Mas uma “cozinha” que se preze não se restringe a um bom “chefe”. Na lista consta também Robson Jorge, músico que deu uma pitada de modernidade nos teclados brasileiros na década de oitenta. Juntamente com Lincoln Olivetti, foram responsáveis por arranjos e produções de sucesso deles próprios e de grandes músicos brasileiros nesse período.
Pra fechar a relação de grandes músicos que eu conheço e que participaram desse disco do Odair José, cito também Hyldon, autor de grandes sucessos da década de setenta, dentre as quais relaciono: “Na Rua, na Chuva, na Fazenda” (Casinha de Sapê) e “Dores do Mundo”. O disco contou ainda com arranjos de Don Charley em parceria com o próprio Odair José e José Lanforge na gaita e Jaime Alem nas guitarras. Os três últimos, músicos que não conheço o trabalho.
Fiz questão de relacionar todos esses músicos que trabalharam com Odair José para enfatizar que, mesmo fazendo um trabalho considerado “brega” pela crítica brasileira, Odair José, um perfeccionista dentro do seu estilo, conseguiu arregimentar um time de primeira para garantir a sonoridade que ele acreditava que sua música necessitava. “O Filho de Maria e José” é uma grata surpresa trazida à luz pela “Bruxa do Vinil”.
Essa é a grande diferença do trabalho de nossa amiga “feiticeira virtual”, que quer nos fazer crer que todo esse seu fantástico trabalho é um passe de mágica, tipo: “abracadabra” e, de repente, temos à nossa disposição registros históricos da produção musical brasileira de todos os estilos e tendências, quando na verdade, a moça vive revirando os discos empoeirados dos sebos, em seguida vai para sua “cozinha virtual”, joga tudo no “caldeirão computadorizado” e, só depois, nos apresenta suas “poções musicais”.
Obrigado, “bruxinha”, nós te amamos!
Marquinho Carvalho
A misteriosa “bruxa” tem feito incríveis “escavações” e tem trazido à luz preciosos “tesouros arqueológicos” da música brasileira que foram soterrados na poeira dos porões das grandes gravadoras. E como uma boa arqueóloga, a nossa querida "Bruxa" não trabalho só. No caso da "escavação" do disco que mencionarei abaixo, ela contou com a grande ajuda do "aprendiz de feiteiçeiro" Marcelo, companheiro do Rio Grande do Sul.
A última novidade que o “Abracadabra” nos apresentou foi o disco “O Filho de José e Maria”, do insofismável Odair José. Eu que sou goiano, conterrâneo do artista, atualmente com quarenta e dois anos de idade e ouvia, nos meus tempos da infância e pré-adolescência, os sucessos de Odair José na rádio AM de minha cidade, nunca tive a oportunidade de conhecer esse disco. Evidente que eu adorava ouvir as canções do intérprete e compositor que conquistou o coração das camadas populares do Brasil durante a década de setenta.
Quando Caetano Veloso gravou em 1973 a canção “Eu Vou Tirar Você desse Lugar” do Odair José, causou reboliço no meio intelectual que considerava a criação do artista algo menor. Agora, quando as novas gerações rendem loas ao compositor e gravaram o disco “Vou Tirar Você Desse Lugar” - Tributo a Odair José (2006), reunindo seus grandes sucessos com roupagem contemporânea, tornou-se impossível ignorá-lo.
Daí, fazendo a minha cotidiana visita ao templo da “Bruxa do Vinil”, o blog - http://abracadabra-br.blogspot.com/ – dei de cara com o disco “O Filho de José e Maria”, gravado em 1977. Mas, além de me deparar com essa “preciosidade arqueológica” da verdadeira “musica popular brasileira”, devo dizer que fiquei absolutamente impressionado com a “cozinha” dessa produção.
Como uma grande arqueóloga, a “bruxa” não deixa escapar nenhum detalhe de sua meticulosa escavação. Lá estão relacionados todos os músicos que fizeram parte da gravação do disco.
Para minha estonteante surpresa, constatei os nomes do baixista Alexandre Malheiros, do tecladista José Roberto Bertrami e do baterista Mamão, o trio responsável pelo lendário Azymuth que, durante os anos setenta e início da década de oitenta, conquistou o mercado “estadunidense” e brasileiro com sua moderna música instrumental com “sotaque” jazz fusion e pulsação brasileira.
Mas uma “cozinha” que se preze não se restringe a um bom “chefe”. Na lista consta também Robson Jorge, músico que deu uma pitada de modernidade nos teclados brasileiros na década de oitenta. Juntamente com Lincoln Olivetti, foram responsáveis por arranjos e produções de sucesso deles próprios e de grandes músicos brasileiros nesse período.
Pra fechar a relação de grandes músicos que eu conheço e que participaram desse disco do Odair José, cito também Hyldon, autor de grandes sucessos da década de setenta, dentre as quais relaciono: “Na Rua, na Chuva, na Fazenda” (Casinha de Sapê) e “Dores do Mundo”. O disco contou ainda com arranjos de Don Charley em parceria com o próprio Odair José e José Lanforge na gaita e Jaime Alem nas guitarras. Os três últimos, músicos que não conheço o trabalho.
Fiz questão de relacionar todos esses músicos que trabalharam com Odair José para enfatizar que, mesmo fazendo um trabalho considerado “brega” pela crítica brasileira, Odair José, um perfeccionista dentro do seu estilo, conseguiu arregimentar um time de primeira para garantir a sonoridade que ele acreditava que sua música necessitava. “O Filho de Maria e José” é uma grata surpresa trazida à luz pela “Bruxa do Vinil”.
Essa é a grande diferença do trabalho de nossa amiga “feiticeira virtual”, que quer nos fazer crer que todo esse seu fantástico trabalho é um passe de mágica, tipo: “abracadabra” e, de repente, temos à nossa disposição registros históricos da produção musical brasileira de todos os estilos e tendências, quando na verdade, a moça vive revirando os discos empoeirados dos sebos, em seguida vai para sua “cozinha virtual”, joga tudo no “caldeirão computadorizado” e, só depois, nos apresenta suas “poções musicais”.
Obrigado, “bruxinha”, nós te amamos!
Marquinho Carvalho
sexta-feira, 14 de março de 2008
Uma Notícia Boa e Duas Péssimas!
No último dia 7 de abril a Associação dos Amigos do Museu Histórico Francisco Honório de Campos se reuniu para discutir a criação de um cineclube nas dependências do casarão do museu.
O projeto tem como objetivos fundamentais propiciar um novo espaço de lazer para a população jataiense e contribuir com a formação de um público voltado para o denominado “cinema de arte”. Para tanto, a proposta é exibir filmes do circuito alternativo que não encontram espaço nas tradicionais salas de cinemas comerciais e, muito menos, são encontrados nas locadoras.
Após a apresentação do projeto os membros da associação deram os seus pareceres e houve uma unanimidade a favor de sua aprovação. Todos elogiaram a exposição detalhada dos objetivos, justificativa e estratégias de funcionamento do que seria o futuro cineclube. Ressaltaram ainda a importância do cineclube na divulgação do nome do museu junto à população jataiense.
Poucos dias depois de aprovada a criação do cineclube eu soube da informação que o histórico Cine Goiás havia encerrado as suas atividades e o prédio se tornará um templo religioso. O curioso é que na redação do projeto consta o relato desse fenômeno que tem se verificado na maioria das cidades brasileiras.
A lamentável notícia do fechamento do Cine Goiás poderia ter sido minimizada com a aprovação do projeto do cineclube pela Associação Amigos do Museu. Todavia, o entusiasmo dos membros da Associação não teve a reciprocidade da secretária de cultura do município de Jataí que vetou a criação e funcionamento do cineclube nas dependências do Museu Histórico Francisco Honório de Campos.
Vale ressaltar que, ao vetar a criação do cineclube, a secretária de cultura está impossibilitando o recebimento de vários equipamentos eletrônicos: data show, telão, dvd player e caixas acústicas que poderiam ser doadas pelo governo federal, através do Ministério da Cultura.
A política cultural do ministério em relação ao cinema é agir como facilitador na criação de cineclubes nos diversos municípios da federação. Esses equipamentos serão distribuídos, primeiramente, nas cidades que já tem projetos de cineclubes em funcionamento. Portanto, com essa atitude torpe, a senhora Vânia Carvalho, além de prejudicar de maneira ostensiva o movimento cultural de Jataí, fecha as portas da administração municipal para o estabelecimento de uma grande parceria com o Ministério da Cultura.
O que podemos dizer diante de tamanha obscuridade por parte dessa senhora que ocupa o cargo mais importante da cultura em nossa cidade? De minha parte, só posso lamentar que o cargo seja ocupado por uma pessoa tão tacanha em termos culturais.
Também não é pra menos, afinal, foi a própria secretária de cultura que teve a capacidade de vetar a apresentação gratuita em nossa cidade do genial pianista Arthur Moreira Lima, certamente, por não conhecê-lo, agora dá mostras evidentes que desconhece a importância de um cineclube para a cultura de uma cidade.
Sinceramente, só posso acrescentar que estou de luto pela cultura jataiense devido ao fechamento do Cine Goiás e pelo veto da criação do cineclube. Mas principalmente, por termos à frente da secretaria de cultura uma pessoa tão despreparada. Justo a secretária que deveria ser a idealizadora dos grandes projetos culturais em nossa cidade, faz justamente o contrário: impede que a sociedade civil organizada tome a iniciativa. Então, deixemos que esta senhora “culta” continue organizando os seus cursos de “preparação de salada” como grandes eventos culturais.
A propósito, sugiro que atual administração de Jataí realize uma troca na nomenclatura da sua secretaria de cultura. O nome ideal seria: “Secretária do Atraso Cultural”.
Marquinho Carvalho
O projeto tem como objetivos fundamentais propiciar um novo espaço de lazer para a população jataiense e contribuir com a formação de um público voltado para o denominado “cinema de arte”. Para tanto, a proposta é exibir filmes do circuito alternativo que não encontram espaço nas tradicionais salas de cinemas comerciais e, muito menos, são encontrados nas locadoras.
Após a apresentação do projeto os membros da associação deram os seus pareceres e houve uma unanimidade a favor de sua aprovação. Todos elogiaram a exposição detalhada dos objetivos, justificativa e estratégias de funcionamento do que seria o futuro cineclube. Ressaltaram ainda a importância do cineclube na divulgação do nome do museu junto à população jataiense.
Poucos dias depois de aprovada a criação do cineclube eu soube da informação que o histórico Cine Goiás havia encerrado as suas atividades e o prédio se tornará um templo religioso. O curioso é que na redação do projeto consta o relato desse fenômeno que tem se verificado na maioria das cidades brasileiras.
A lamentável notícia do fechamento do Cine Goiás poderia ter sido minimizada com a aprovação do projeto do cineclube pela Associação Amigos do Museu. Todavia, o entusiasmo dos membros da Associação não teve a reciprocidade da secretária de cultura do município de Jataí que vetou a criação e funcionamento do cineclube nas dependências do Museu Histórico Francisco Honório de Campos.
Vale ressaltar que, ao vetar a criação do cineclube, a secretária de cultura está impossibilitando o recebimento de vários equipamentos eletrônicos: data show, telão, dvd player e caixas acústicas que poderiam ser doadas pelo governo federal, através do Ministério da Cultura.
A política cultural do ministério em relação ao cinema é agir como facilitador na criação de cineclubes nos diversos municípios da federação. Esses equipamentos serão distribuídos, primeiramente, nas cidades que já tem projetos de cineclubes em funcionamento. Portanto, com essa atitude torpe, a senhora Vânia Carvalho, além de prejudicar de maneira ostensiva o movimento cultural de Jataí, fecha as portas da administração municipal para o estabelecimento de uma grande parceria com o Ministério da Cultura.
O que podemos dizer diante de tamanha obscuridade por parte dessa senhora que ocupa o cargo mais importante da cultura em nossa cidade? De minha parte, só posso lamentar que o cargo seja ocupado por uma pessoa tão tacanha em termos culturais.
Também não é pra menos, afinal, foi a própria secretária de cultura que teve a capacidade de vetar a apresentação gratuita em nossa cidade do genial pianista Arthur Moreira Lima, certamente, por não conhecê-lo, agora dá mostras evidentes que desconhece a importância de um cineclube para a cultura de uma cidade.
Sinceramente, só posso acrescentar que estou de luto pela cultura jataiense devido ao fechamento do Cine Goiás e pelo veto da criação do cineclube. Mas principalmente, por termos à frente da secretaria de cultura uma pessoa tão despreparada. Justo a secretária que deveria ser a idealizadora dos grandes projetos culturais em nossa cidade, faz justamente o contrário: impede que a sociedade civil organizada tome a iniciativa. Então, deixemos que esta senhora “culta” continue organizando os seus cursos de “preparação de salada” como grandes eventos culturais.
A propósito, sugiro que atual administração de Jataí realize uma troca na nomenclatura da sua secretaria de cultura. O nome ideal seria: “Secretária do Atraso Cultural”.
Marquinho Carvalho
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